Cirurgia Oncológica

Saúde mental muda o jogo no esporte de alto rendimento

Psicóloga de atletas olímpicas explica por que preparar a mente é pré-requisito para render mais e ter carreira longa

Por Redação Brazil Health , 18/11/2025

3 min de leitura

Saúde mental muda o jogo no esporte de alto rendimento

A saúde mental saiu da lateral e foi para o centro do treino. No alto rendimento, cuidar da cabeça já é pauta obrigatória — e não acessório. “Já não cabe mais discutir se a preparação mental é ou não parte da performance; simplesmente é”, afirma a psicóloga Bianca Andrade, especialista em Psicologia do Esporte e integrante da comissão técnica de Duda e Ana Patrícia, medalhistas de ouro em Paris 2024.

Segundo a especialista, a atuação do psicólogo do esporte foi além de técnicas clássicas como metas e visualização. Hoje, o primeiro passo é garantir bem-estar e equilíbrio emocional como base de resultados consistentes. “Assim como uma lesão física impede a plena performance, sintomas de depressão, ansiedade ou esgotamento mental limitam a execução de tudo o que foi treinado”, diz.

Por que a mente virou pré-requisito no alto rendimento

O trabalho começa pelo autoconhecimento: entender por que competir, quais valores importam e que sentido o esporte tem na vida. Esse alinhamento fortalece três pilares do desempenho: motivação (que sustenta disciplina), confiança (crença nas próprias capacidades) e resiliência (capacidade de voltar após frustrações).

Também entram em cena ferramentas de regulação das emoções — como mindfulness e técnicas de respiração —, a construção de uma rede de apoio com comunicação assertiva e o manejo do estresse por meio de planejamento de calendário, estratégias de recuperação mental e definição de prioridades. O resultado é prevenir quedas de rendimento e criar as condições ideais para competir com consistência e segurança.

Formação de base: emoções em jogo cedo demais

Na transição da base para o alto rendimento, jovens atletas enfrentam cobranças antes mesmo de o cérebro atingir a maturidade completa das funções de planejamento e controle emocional. Nesse cenário, o psicólogo atua como facilitador, ensinando a lidar com frustrações, tomar decisões sob pressão e focar no processo — e não apenas no resultado.

Esse acompanhamento antecipa problemas, reduz abandonos precoces e evita a sobrecarga mental. Ao refletir sobre objetivos, limites e sacrifícios aceitáveis, o atleta ganha autonomia, alinha expectativas e mantém o prazer pela prática, construindo uma carreira mais equilibrada e duradoura.

Lesões, pressão e internet: como blindar a cabeça

Crises fazem parte: lesões, derrotas e cobranças públicas abalam qualquer um. Nesses momentos, o suporte psicológico ajuda a aceitar limites temporários e seguir evoluindo com metas progressivas, visualização para o retorno e diálogo interno positivo. O trabalho também fortalece a capacidade de lidar com críticas e expectativas — inclusive na internet —, deslocando o foco do que não se controla para esforço, dedicação e progresso diário. “Transformar adversidades em combustível para o crescimento não é simples, mas é possível quando se trabalha com conexão com os próprios valores e alinhamento com metas de longo prazo”, afirma Bianca.

Para a psicóloga, a mensagem é direta: saúde mental é parte do treino. “Preparar a mente é tão estratégico quanto treinar o corpo e isso exige uma visão integrada, na qual técnicos, equipes multidisciplinares, familiares e atletas compreendam que cuidar do bem-estar psicológico não é luxo: é parte do treino.”