Acupuntura

Atividade física na terceira idade ajuda a manter autonomia e reduzir risco de quedas

Com a população acima de 60 anos em alta no Brasil, ortopedista explica como exercícios de força e aeróbicos podem proteger mobilidade, cognição e a capacidade de recuperação diante de doenças e cirurgias.

Por Redação Brazil Health , 10/04/2026

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Atividade física na terceira idade ajuda a manter autonomia e reduzir risco de quedas

Manter o corpo em movimento ao longo do envelhecimento pode ser decisivo para preservar independência e qualidade de vida. No Dia Mundial da Atividade Física, lembrado em 6 de abril, o ortopedista Daniel Daniachi, especialista em quadril do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, chama atenção para um aspecto pouco discutido fora do consultório: a atividade física ajuda a reduzir a chamada fragilidade, condição que diminui a “reserva” do organismo para reagir a quedas, infecções, internações e procedimentos cirúrgicos.

O tema ganha relevância diante do envelhecimento acelerado no país. Dados do IBGE indicam que o Brasil tinha 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, o equivalente a 16,1% da população. Ao mesmo tempo, levantamento do Vigitel mostra que 42,3% dos adultos nas capitais e no Distrito Federal atingiam o nível recomendado de atividade física no tempo livre.

“Quando falamos em atividade física, não estamos falando apenas de condicionamento ou estética. Estamos falando de preservar a capacidade de andar bem, levantar sozinho, manter equilíbrio, proteger as articulações, reduzir o risco de quedas e chegar mais forte aos desafios que o envelhecimento naturalmente impõe”, afirma Daniachi.

Treino de força e proteção ao longo da vida

Evidências recentes associam exercícios de força a benefícios que vão além do ganho muscular. Uma meta-análise publicada em 2022 no British Journal of Sports Medicine apontou que 30 a 60 minutos semanais de treino resistido foram relacionados a redução de até 17% no risco de morte por câncer e doenças cardiovasculares. Quando combinados a exercícios aeróbicos, os efeitos protetores chegaram a 40%.

Na avaliação do especialista, o impacto aparece na rotina e também nos momentos críticos: pessoas com mais força, equilíbrio e mobilidade tendem a ter melhor recuperação após fraturas, cirurgias e períodos de imobilização, com maior chance de retomar atividades do dia a dia.

Suplementos: whey e creatina exigem avaliação individual

Com o avanço da idade, ocorre um fenômeno conhecido como resistência anabólica, em que o músculo responde menos ao estímulo do exercício e da ingestão de proteínas. Por isso, estratégias como treino resistido e alimentação com proteína adequada podem ajudar na manutenção de massa magra e força.

O médico afirma que suplementos como whey protein e creatina podem ter papel em casos selecionados, mas não devem ser usados como “atalho”. “Idoso pode fazer musculação, pode treinar força e, em muitos casos, isso é desejável. A suplementação também pode ter papel importante, mas não deve ser vista como atalho. O principal continua sendo a combinação entre acompanhamento médico, treino adequado e rotina consistente”, diz.

Movimento também protege a memória

Os benefícios do exercício se estendem ao cérebro. Um estudo publicado em 2025 no JAMA Network Open observou que níveis mais altos de atividade física na meia-idade e na velhice estiveram associados a menor risco de demência. Em comparação com o grupo menos ativo, os participantes mais ativos tiveram 41% menos risco na meia-idade e 45% menos risco na velhice.

Para o ortopedista, manter uma rotina ativa pode ainda favorecer a socialização e quebrar um ciclo comum no envelhecimento: menos movimento, mais isolamento, piora do humor e maior medo de cair. “O movimento é uma ferramenta de proteção. Ele ajuda a preservar força, estabilidade, coordenação e confiança corporal. Isso faz diferença na prevenção de lesões, mas também na recuperação quando algum problema acontece”, conclui.