Fome e Saciedade

Uso excessivo de telas pode afetar fome e saciedade

Estímulos de celulares e computadores alteram sinais de fome e saciedade, diz o médico Ordânio Almeida. Pausas e refeições sem telas ajudam a reconectar cérebro e estômago.

Por Redação Brazil Health , 14/02/2026

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Uso excessivo de telas pode afetar fome e saciedade

Comer com o celular na mão pode desregular o apetite e apagar os sinais de saciedade, afirma o médico nutrólogo Ordânio Almeida. “Vivemos a era dos cliques, um tempo em que o cérebro é constantemente estimulado, sem pausas”, diz.

Segundo ele, cada notificação aciona pequenas descargas de hormônios do prazer, condicionando o cérebro a buscar estímulos rápidos. “Quando o cérebro é treinado para buscar estímulos rápidos, ele começa a perder a capacidade de sustentar a presença”, afirma.

Quando a mente corre, o apetite oscila

Almeida descreve o “modo hipermental”, comum em profissionais sob alta pressão, que alterna dois extremos na alimentação: comer sem perceber para aliviar a tensão ou, ao contrário, ignorar a fome por estar sempre ocupado. “Quem vive em ritmo mental intenso tende a oscilar entre dois polos... de um lado, o excesso; de outro, a escassez”, resume.

Para o médico, estudos em saúde mental indicam que a hiperestimulação digital bagunça a regulação de hormônios ligados ao prazer e ao estresse, o que afeta diretamente os centros cerebrais de fome e saciedade. O resultado é um ciclo de busca por gratificação — na tela ou no prato — com pouca sensação de satisfação.

Pausa, silêncio e refeição sem telas

A recomendação central é a de que é necessário desacelerar no momento das refeições. “Comer diante das telas não é a mesma coisa que se alimentar, é apenas consumir sem sentir”, afirma. “Desconectar para nutrir-se é, portanto, um exercício médico e emocional.”

Ele explica que sem distrações o corpo sai do modo de alerta e entra em um estado de recuperação. Isso favorece a percepção de cheiro, textura e sabor, acelera a liberação dos sinais de saciedade e ajuda o organismo a regular melhor o apetite.

Mais do que calorias: o que sentimos também importa

Almeida defende que o ambiente e o estado emocional influenciam como o corpo processa nutrientes. “A nova medicina, que une ciência, comportamento e propósito, entende que o apetite é uma linguagem”, diz. Luz, som, emoção e atenção, segundo ele, interferem em hormônios que regulam fome e saciedade.

Para além do desempenho, o recado é de saúde pública: “A desconexão digital não é um luxo moderno, é uma medida terapêutica”, afirma. “Não existe alta performance sem pausa, e não existe saúde cerebral sem silêncio.”

Na prática, o médico sugere transformar a refeição em um ato de presença: observar os próprios gatilhos de prazer, respeitar horários e ambientes, sentir o cheiro e o calor dos alimentos. Assim, conclui, comer deixa de ser automático e volta a nutrir corpo e mente com equilíbrio e propósito.