Sedentarismo Emocional

Sedentarismo emocional acende alerta sobre saúde mental no dia a dia

Conceito descreve afastamento das próprias emoções como padrão que alimenta ansiedade, cansaço e desconexão afetiva

Por Redação Brazil Health , 23/01/2026

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Sedentarismo emocional acende alerta sobre saúde mental no dia a dia

Um conceito batizado de sedentarismo emocional, proposto pelo psiquiatra e neurocientista Diogo Lara, aponta para a tendência de reduzir o contato com as próprias emoções por meio de mecanismos de defesa. A ideia ganhou espaço em meio ao aumento de ansiedade e depressão no país e busca explicar por que estados de tensão e fadiga mental têm se tornado frequentes.

O que é e por que importa

A Organização Mundial da Saúde estima que milhões de pessoas vivam com algum sofrimento psíquico. Para Lara, parte desse quadro está relacionada a uma proteção emocional constante, que diminui a capacidade de processar experiências internas. “O corpo registra experiências e emoções que não encontram expressão por estarem protegidas demais para evitar a dor emocional. Quando evitamos sentir, a mente se organiza em proteção contínua. Isso gera ansiedade, cansaço, impulsos, desconexão afetiva e queda na presença”, afirma.

Segundo o psiquiatra, a vida digital, o consumo contínuo de informações e a busca por alívio imediato favorecem estratégias de fuga – como excesso de telas ou trabalho – que adiam o contato com desconfortos, mas mantêm o sistema em alerta.

Como o padrão se instala

Defesas emocionais costumam surgir diante de estresse e ameaça para reduzir a dor psíquica. Sem elaboração adequada, memórias e sensações permanecem ativas e passam a influenciar decisões, vínculos e desempenho de forma automática. “Existem boas razões para essas defesas se formarem, principalmente na infância, mas mesmo depois que o ambiente hostil não exista mais, essas defesas instaladas se tornam um padrão rígido e automático”, diz Lara.

O termo sedentarismo emocional não é um diagnóstico médico nem integra classificações oficiais de transtornos mentais – trata-se de uma proposta conceitual para descrever um conjunto de comportamentos e efeitos.

Caminhos de cuidado

O enfrentamento, de acordo com o psiquiatra, passa por ampliar a tolerância ao contato com a própria experiência interna, com espaço para sentir e elaborar o que ficou pendente. Ele defende intervenções estruturadas de reprocessamento de memórias que sustentam padrões repetidos.

Lara desenvolveu os métodos AIM e INSIDELIC, que, segundo ele, trabalham com acesso guiado a registros associados a respostas emocionais persistentes, com o objetivo de reorganizar padrões e reduzir defesas que já não são necessárias. As abordagens são de autoria do médico e não substituem acompanhamento profissional.

Profissionais de saúde mental recomendam procurar ajuda quando o sofrimento é persistente ou interfere na rotina. Hábitos como sono regular, pausas ao longo do dia, atividade física e redução do uso compulsivo de telas podem apoiar a regulação emocional, mas cada caso requer avaliação individual.