Medicina Intensiva

Cinco hábitos do dia a dia que podem prejudicar memória e concentração

Telas antes de dormir, sedentarismo e multitarefa estão entre comportamentos que afetam o cérebro, segundo especialistas. Mudanças simples na rotina podem ajudar a preservar desempenho cognitivo.

Por Redação Brazil Health , 17/04/2026

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Cinco hábitos do dia a dia que podem prejudicar memória e concentração

Hábitos comuns na rotina de trabalho, especialmente entre quem vive conectado e passa horas sentado, podem estar associados a piora do sono, da concentração e da memória. O alerta ganha destaque em meio às discussões sobre saúde mental e produtividade, tema que costuma voltar ao debate em datas como o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril.

A neurocientista Carol Garrafa afirma que o cérebro muda ao longo da vida e responde diretamente aos comportamentos do dia a dia. “A velocidade do declínio cognitivo é influenciada diretamente pelas escolhas que fazemos no dia a dia”, diz. Para ela, práticas repetidas podem acelerar o envelhecimento cerebral, enquanto ajustes de rotina ajudam a proteger as funções mentais.

Telas no começo e no fim do dia

Olhar redes sociais, mensagens ou e-mails perto da hora de dormir pode interferir no sono, principalmente pela exposição à luz dos dispositivos. Segundo Garrafa, o descanso insuficiente prejudica processos ligados à memória. “O sono de má qualidade interrompe a renovação celular no hipocampo, que é o epicentro da memória”, afirma.

Isolamento e poucas interações presenciais

Outro ponto é a redução de contato social, situação comum no home office. Garrafa ressalta que a falta de interação pode afetar conexões neurais e se relacionar a maior risco de ansiedade e depressão. A CEO da Santé também destaca o papel das relações sociais para a saúde do cérebro: “A interação social e conversas prazerosas são fatores que beneficiam diretamente o desempenho cognitivo e a linguagem, e há sólidos indícios que funcionam como uma barreira preventiva contra o Alzheimer”, diz.

Sedentarismo, alimentação e multitarefa

Ficar longos períodos sentado é apontado como mais um fator que pode comprometer atenção e rapidez de raciocínio. “Já fazer atividade física estimula a circulação sanguínea e a liberação de substâncias que protegem o cérebro”, afirma Garrafa, que recomenda incluir exercícios na rotina e fazer pausas curtas para se movimentar ao longo do dia.

A alimentação também entra na lista. Como o cérebro consome uma parcela alta da energia do corpo, dietas ricas em ultraprocessados e açúcar podem favorecer cansaço mental e dificuldade de foco. “Quando a alimentação é pobre em nutrientes, isso afeta diretamente a energia mental, a concentração e até o humor”, diz a neurocientista.

Por fim, especialistas alertam para o custo da multitarefa. Garrafa afirma que o cérebro não executa várias atividades complexas ao mesmo tempo, mas alterna o foco, o que reduz a eficiência. “Cada vez que alternamos tarefas, o cérebro precisa reorganizar o foco. Esse processo consome recursos cognitivos valiosos”, explica.