Burnout digital: excesso de telas já é ligado a insônia e falta de concentração
Com o Brasil entre os países que mais passam tempo online, estudos apontam sinais de esgotamento em trabalhadores e estudantes; psicóloga explica como identificar e quando buscar ajuda.
Por Redação Brazil Health , 14/03/2026
3 min de leitura
Passar horas seguidas diante de telas, alternando reuniões, mensagens e tarefas sem pausas, tem sido associado a sintomas de esgotamento físico e mental descritos como burnout digital. Pesquisas recentes apontam que o problema pode afetar tanto profissionais em trabalho remoto ou híbrido quanto estudantes com alta carga de atividades.
Um estudo com 70 trabalhadores brasileiros, publicado em 2025 na revista Ecronicon, identificou que excesso de tempo de tela e jornadas prolongadas estiveram relacionados a queda na qualidade de vida, alterações no sono e dificuldade de concentração. A pesquisa foi realizada em Araçatuba (SP) com colaboração do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da USP, em Ribeirão Preto (SP).
Resultados parecidos foram observados em uma pesquisa com 140 estudantes de Enfermagem nos Emirados Árabes Unidos, publicada na BMC Nursing em julho de 2025. Os participantes mais jovens e os matriculados em mais de cinco disciplinas simultâneas apresentaram cansaço mental, irritabilidade e ansiedade, entre outros sinais compatíveis com a síndrome de burnout, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Brasil entre os países que mais ficam conectados
O cenário preocupa especialmente no Brasil. Dados do relatório Digital 2023: Global Overview Report, da DataReportal, indicam que o brasileiro passa cerca de nove horas por dia em frente a telas, o equivalente a 56,6% do tempo acordado. O levantamento, que comparou 45 países, coloca o Brasil como o segundo com maior taxa de tempo de tela.
Quando o cansaço deixa de ser normal
Para a psicóloga Patrícia Alves Guerra, com atuação em recursos humanos e atendimento clínico, o burnout digital ainda pode ser confundido com fadiga comum. “É difícil para as pessoas reconhecerem os sintomas, porque eles se parecem com fadiga. Mas, o burnout, seja no contexto tradicional ou digital, é um estresse crônico que se acumula quando você está sob pressão contínua, como se estivesse tentando desafogar em meio a fortes ondas”, afirma.
Segundo ela, o risco não se limita ao emprego formal. “Quem cuida de familiares continuamente, por exemplo, especialmente mulheres, também está muito exposto, quando não estabelece limites ou uma rotina saudável. Atualmente, profissionais que atuam na área digital, de saúde e da educação manifestam mais desgaste físico e emocional”, alerta.
Sinais de alerta e cuidados
Entre os sinais iniciais citados por especialistas estão insônia com sensação de não descansar, queda de produtividade, dores musculares e cefaleias, ansiedade excessiva, irritabilidade constante, alterações de pressão arterial e problemas gastrointestinais. Se o quadro avança sem intervenção, podem surgir complicações como depressão e crises de pânico, além de aumento do risco de suicídio.
A psicóloga defende que a abordagem deve ser individualizada e, em muitos casos, interdisciplinar. “Médicos e psicólogos podem atuar juntos, pois não existe um protocolo único para todos. Na psicologia a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens que ajuda o paciente a desenvolver estratégias de autorregulação e lidar com gatilhos específicos”, explica.
Especialistas ressaltam que pessoas que já tiveram burnout podem ficar mais suscetíveis a recaídas se mantiverem a exposição aos mesmos fatores de estresse, especialmente sem limites claros para trabalho, estudos e uso de telas no dia a dia.
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