Hematologia e Hemoterapia

Dormir bem ajuda a emagrecer e melhora o rendimento no treino, diz médico

Especialista explica que a falta de sono altera hormônios ligados à fome, dificulta a recuperação muscular e pode aumentar o risco de ganho de peso.

Por Redação Brazil Health , 23/03/2026

3 min de leitura

Dormir bem ajuda a emagrecer e melhora o rendimento no treino, diz médico

Uma boa noite de sono pode ser um componente decisivo para quem tenta emagrecer com saúde. Além de contribuir para a recuperação do corpo, dormir o suficiente ajuda a regular hormônios que interferem no apetite e no metabolismo, o que pode influenciar diretamente o peso.

A recomendação média para adultos é dormir cerca de sete horas por noite. Abaixo disso, segundo especialistas, podem surgir impactos não só no metabolismo, mas também no desempenho físico e na capacidade de manter uma rotina consistente de exercícios.

O médico do esporte e nutrólogo Thiago Viana afirma que o sono tem papel central no controle da fome. “Quando a pessoa dorme mal, ocorre um aumento da grelina ao longo do dia. Isso faz com que ela sinta mais fome e tenha maior necessidade de consumir alimentos para gerar energia e se manter acordada”, diz.

Outro ponto é a influência do descanso na regulação do cortisol, hormônio relacionado ao estresse e a processos metabólicos. “Com um sono adequado, os níveis de cortisol tendem a reduzir, favorecendo um ambiente mais anabólico, que estimula a construção muscular”, afirma Viana.

O especialista também destaca que é durante o sono que o organismo intensifica a recuperação. “É nesse período que ocorre, por exemplo, a liberação do hormônio do crescimento, o GH, que contribui tanto para a recuperação muscular quanto para a utilização de gordura como fonte de energia”, explica.

Sono e risco de obesidade

De acordo com Viana, pesquisas têm associado menos horas de sono a maior chance de obesidade. “Existem estudos mostrando que a cada uma hora a menos de sono por noite, o risco de obesidade pode aumentar em cerca de 43%. Isso mostra o quanto o sono é determinante para o controle do peso”, afirma.

A privação de sono também pode afetar as escolhas alimentares. Pessoas que dormem pouco tendem a buscar mais alimentos ricos em açúcar, gordura e sal, em um padrão de consumo associado ao prazer imediato, e não necessariamente à fome fisiológica.

Impacto no treino e na recuperação

Além do efeito na alimentação, dormir mal pode prejudicar o resultado do treino. Segundo o médico, a redução do descanso compromete processos de reparo e síntese celular, ao mesmo tempo em que pode elevar o cortisol, o que atrapalha a recuperação muscular.

“Quem dorme mal normalmente tem menos energia para treinar, não consegue atingir seu potencial máximo durante o exercício e ainda aumenta o risco de lesões”, diz Viana.

Parte do tratamento, não detalhe

Para o especialista, o sono deve entrar na estratégia de emagrecimento com o mesmo peso de alimentação e atividade física. “Nenhum programa de emagrecimento sustentável pode ignorar a qualidade do sono”, afirma. Ele defende acompanhamento multiprofissional para avaliar, de forma integrada, rotina de exercícios, comportamento alimentar, saúde mental e hábitos de sono.