Cirurgia do Aparelho Digestivo

Sono ajuda o cérebro a eliminar toxinas ligadas a Alzheimer e Parkinson, dizem médicos

Especialista explica que a limpeza ocorre com mais eficiência no sono profundo; levantamento do Ministério da Saúde aponta que 1 em cada 5 adultos dorme menos de seis horas por noite.

Por Redação Brazil Health , 22/04/2026

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Sono ajuda o cérebro a eliminar toxinas ligadas a Alzheimer e Parkinson, dizem médicos

Dormir vai muito além de descansar. Durante o sono, o cérebro entra em um período de intensa atividade, com processos que ajudam a proteger a saúde ao longo da vida, incluindo um mecanismo de “limpeza” que remove substâncias associadas ao envelhecimento e a doenças neurológicas, como Alzheimer e Parkinson.

De acordo com o neurologista Lúcio Huebra, da diretoria da Academia Brasileira do Sono, o período de sono é essencial para funções como memória, imunidade e recuperação do sistema cardiovascular. “As pessoas acreditam que o sono é um momento em que o corpo está inerte, inativo, mas na verdade muitas coisas acontecem enquanto a gente está dormindo”, afirma.

Como funciona a limpeza do cérebro

Segundo Huebra, a chamada limpeza cerebral ganhou mais atenção da ciência na última década, com a descrição do sistema glinfático. Ele atua como uma espécie de rede de circulação de líquidos no cérebro, capaz de ajudar a remover resíduos e proteínas consideradas tóxicas quando se acumulam no tecido cerebral.

“Durante o sono, o cérebro faz a maior parte da sua limpeza. Existe o sistema glinfático, que faz a circulação de um líquido que retira proteínas tóxicas. Quando essas proteínas se acumulam no tecido cerebral, elas podem levar à degeneração”, diz o neurologista.

O especialista destaca que a eficiência desse processo está relacionada à qualidade do sono. “Tanto o sono de má qualidade quanto o sono encurtado aumentam o risco. É no sono profundo que essa limpeza acontece de forma mais eficiente”, afirma.

Dados do Vigitel acendem alerta

A discussão ganha peso com números recentes sobre os hábitos de sono no país. A edição de 2025 do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais e no Distrito Federal, passou a investigar pela primeira vez a qualidade do sono em adultos.

O estudo mostra que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, abaixo do mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, 31,7% relataram ao menos um sintoma de insônia, como dificuldade para iniciar o sono, despertares frequentes ou sensação de sono não reparador.

A prevalência de sintomas é maior entre mulheres (36,2%) do que entre homens (26,2%). Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de atenção ao sono como um fator de risco relevante para a saúde física, mental e neurológica.