Hepatologia

Expectativa de vida atinge maior patamar da história e reforça papel da prevenção

O número de brasileiros com mais de 60 anos deve chegar a quase 38% da população até 2070. Especialistas ressaltam a importância da prevenção e promoção de saúde em prol da longevidade ativa

Por Redação Brazil Health , 15/07/2026

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Expectativa de vida atinge maior patamar da história e reforça papel da prevenção

O Brasil atingiu em 2024 a maior expectativa de vida ao nascer da série histórica do IBGE: 76,6 anos. Aos 60, a projeção média é viver mais 22,6 anos. Ao mesmo tempo, o envelhecimento populacional se acelera: estimativas do instituto indicam que pessoas com mais de 60 anos devem representar quase 38% da população até 2070.

Os números mostram que a longevidade aumenta, mas também reforçam um ponto que tem ganhado peso na medicina: viver mais não significa, necessariamente, viver melhor. A discussão, segundo o médico e pesquisador Alexandre Duarte, tem sido concentrada no total de anos vividos, e menos no tempo em que a pessoa consegue manter independência, mobilidade e capacidade cognitiva.

“O objetivo não deveria ser apenas aumentar o número de anos vividos, mas ampliar o período da vida em que a pessoa consegue trabalhar, caminhar, praticar atividade física, manter autonomia e preservar a capacidade cognitiva”, afirma Duarte.

Metabolismo e doenças que se instalam em silêncio

De acordo com o especialista, boa parte dos problemas associados ao envelhecimento se desenvolve lentamente e pode ficar anos sem sinais evidentes. Alterações metabólicas tendem a se acumular ao longo do tempo, elevando o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, fragilidade física e perda de autonomia.

Entre os fatores citados por Duarte estão perda progressiva de massa muscular, aumento da resistência à insulina, alterações hormonais, deficiência de nutrientes, sedentarismo e alimentação inadequada. “O envelhecimento é um processo biológico natural. O adoecimento não precisa ser”, diz. Para ele, a prevenção tem maior impacto antes de a doença se instalar.

Massa muscular: indicador-chave para envelhecer com independência

Um dos pontos centrais, segundo o médico, é a preservação da massa muscular. A redução gradual da musculatura, chamada sarcopenia, está associada a maior risco de quedas, fraturas, internações e dependência na velhice.

Duarte também alerta para a limitação de avaliar saúde apenas pelo peso. “Existe uma preocupação muito grande com o número que aparece na balança, mas pouco se discute sobre composição corporal”, afirma. Segundo ele, é possível estar dentro do peso considerado adequado e, ainda assim, ter baixa massa muscular, excesso de gordura visceral e alterações metabólicas relevantes.

Prevenção deve começar na vida adulta

Para o pesquisador, estratégias para envelhecer com qualidade precisam ser adotadas antes da terceira idade. Ele cita como pilares alimentação adequada, exercícios de força, sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento clínico individualizado.

“Esperar os primeiros sinais de limitação física para mudar hábitos reduz parte do potencial de recuperação. Quanto mais cedo se investe na saúde metabólica, maiores são as chances de envelhecer com autonomia”, afirma Duarte.

Na avaliação do especialista, com a redução gradual da “reserva fisiológica” ao longo da vida — capacidade do corpo de reagir a infecções, cirurgias e situações de estresse — a prevenção tende a se tornar tema cada vez mais central para a saúde pública. O foco, diz ele, deve avançar da longevidade para a manutenção da independência física e da qualidade de vida.