Melatonina: o que ela pode ajudar no sono e o que ainda não está comprovado
Com queixas de insônia em alta no país, especialistas reforçam que o hormônio regula o relógio biológico e que o uso como suplemento deve ser individualizado, sem promessas de tratar doenças.
Por Redação Brazil Health , 13/03/2026
3 min de leitura
Distúrbios do sono viraram uma questão de saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde, com base em estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que cerca de 72% dos brasileiros relatam algum tipo de alteração no sono, como dificuldade para adormecer, despertares noturnos e insônia.
O aumento das queixas também aparece nas buscas da internet. Em 2025, o interesse por termos relacionados à insônia atingiu o maior nível da série histórica, segundo levantamentos reportados a partir de dados do Google Trends, refletindo a preocupação crescente com a qualidade do descanso.
Com a popularização do tema, a melatonina virou alvo de dúvidas e interpretações equivocadas. Trata-se de um hormônio produzido naturalmente pelo corpo, com papel central na regulação do ritmo circadiano – o chamado relógio biológico. Em geral, sua produção aumenta à noite e funciona como um sinal para o organismo entender o momento de dormir e de acordar.
Quando a suplementação pode entrar em cena
Em algumas situações, a suplementação pode ser considerada como estratégia para ajudar a reorganizar o ciclo sono–vigília, especialmente quando há mudanças de rotina ou queda natural da produção com o envelhecimento.
O cardiologista Humberto Villacorta afirma que o uso deve ser feito com critério. “A suplementação pode ajudar o organismo a sinalizar o início do período de descanso, favorecendo a organização do ciclo sono–vigília. O uso deve ser individualizado e orientado por profissionais de saúde, respeitando as recomendações e os limites regulatórios”, diz.
O que a ciência investiga além do sono
Nas últimas décadas, estudos têm avaliado a melatonina em diferentes contextos clínicos. Além de sua relação com o sono, pesquisas exploram possíveis ações antioxidantes e anti-inflamatórias e efeitos em processos ligados à função mitocondrial e ao endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos que participa da regulação da circulação.
Entre os achados descritos em estudos clínicos e experimentais, aparecem hipóteses de que a substância possa contribuir para melhora da função endotelial, modulação do estresse oxidativo, redução de processos de remodelamento do coração e melhora de marcadores relacionados à função cardíaca e à qualidade de vida em grupos específicos. Especialistas destacam, porém, que resultados variam conforme a população estudada e não significam, por si só, indicação de tratamento.
Relação com doenças do coração exige cautela
Distúrbios do sono costumam coexistir com condições crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, o que pode aumentar a busca por estratégias para dormir melhor. Essa associação, no entanto, não prova uma relação direta de causa e efeito – nem transforma a melatonina em solução para problemas cardíacos.
“A melatonina segue sendo objeto de investigação científica rigorosa. Há um número crescente de estudos que exploram seus potenciais efeitos fisiológicos, ao mesmo tempo em que reforçam a importância do uso responsável, individualizado e com orientação de profissionais de saúde”, afirma Villacorta.
No Brasil, a melatonina é regulamentada como suplemento alimentar, com limites específicos de dosagem e sem indicação terapêutica. Por isso, médicos recomendam que a decisão de usar o produto leve em conta o histórico do paciente, outras doenças, medicamentos em uso e o objetivo do tratamento.
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