Endocrinologia e Metabologia

Estresse pode derrubar desempenho em até 50% no esporte, dizem pesquisas

Especialista explica como a pressão afeta foco e decisões em momentos-chave e aponta estratégias de treino mental que podem ajudar atletas e pessoas com rotina intensa.

Por Redação Brazil Health , 08/06/2026

3 min de leitura

Estresse pode derrubar desempenho em até 50% no esporte, dizem pesquisas

Às vésperas de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo, a atenção costuma se concentrar em preparo físico, tática e risco de lesões. Mas um fator menos visível pode decidir partidas e títulos: a capacidade do cérebro de manter clareza e rapidez de resposta sob pressão. Estudos citados por especialistas indicam que ansiedade e estresse podem reduzir em até 50% a precisão de atletas de elite.

O problema aparece em situações decisivas, como uma cobrança de pênalti, uma largada no automobilismo ou um ponto final no tênis. Segundo a médica Anelise Pirola, que atua com foco em saúde mental e longevidade cerebral, a pressão intensa pode provocar o chamado “apagão mental”, quando a tomada de decisão piora e o corpo responde com rigidez.

“O esporte de elite exige o que chamamos de reserva cognitiva e controle de ansiedade em níveis máximos. Um cérebro sobrecarregado falha na tomada de decisão”, afirma. Para ela, o treino mental deve ser tratado com a mesma seriedade do treino muscular: “Treinar o cérebro hoje é tão viável e necessário quanto treinar a musculatura na academia”.

O que acontece com o cérebro sob pressão

Em momentos de estresse extremo, o organismo pode entrar no modo de “luta ou fuga”, com liberação de hormônios como cortisol e adrenalina. No contexto esportivo, isso pode se traduzir em perda de foco, queda da visão periférica, piora do tempo de reação e aumento da tensão muscular, fatores que favorecem erros técnicos e táticos.

Neurofeedback e o treino do foco

Entre as estratégias usadas nos bastidores do alto rendimento, a especialista cita o neurofeedback, técnica que busca treinar padrões de atividade cerebral. “O neurofeedback funciona como um espelho para as ondas cerebrais. Ele ensina o cérebro a entrar em um estado de foco relaxado, onde o atleta consegue manter a calma mesmo em ambientes de barulho extremo e cobrança”, diz.

O que pode ser adaptado para a vida fora do esporte

Pirola afirma que parte dessas práticas pode ser ajustada para pessoas que enfrentam pressão no trabalho e rotinas exaustivas. Ela destaca três pilares iniciais para melhorar concentração e autocontrole:

  • Reduzir a multitarefa e treinar períodos de foco em uma atividade por vez, para diminuir dispersões.
  • Priorizar a higiene do sono, já que é no sono profundo que o cérebro consolida aprendizados e se recupera.
  • Adotar técnicas de gerenciamento da ansiedade, com estratégias para desacelerar antes de situações decisivas.

“Independentemente de estarmos falando de um jogador de Copa do Mundo ou de um executivo liderando uma grande empresa, o princípio é o mesmo: um cérebro saudável, resiliente e bem treinado é um dos maiores ativos para sustentar desempenho sob pressão”, conclui.