Geriatria

Suplementos na terceira idade pedem critério e acompanhamento

Por Dra. Julianne Pessequillo , 26/03/2026

4 min de leitura

Suplementos na terceira idade pedem critério e acompanhamento

A geriatra Julianne Pessequillo explica quando vitaminas e compostos como whey protein e creatina são indicados e por que o uso sem avaliação médica pode prejudicar a saúde.

O aumento da expectativa de vida tem trazido novos desafios para a saúde. Entre eles está a busca por estratégias que ajudem a preservar autonomia, força muscular e saúde óssea na terceira idade. Nesse contexto, a suplementação alimentar tem ganhado destaque, muitas vezes impulsionada por forte publicidade e pela promessa de envelhecimento mais saudável.

Alguns suplementos podem trazer benefícios importantes quando utilizados de forma adequada e com indicação profissional.

Quando os suplementos podem ajudar

Suplementos como proteína do soro do leite (whey protein), vitamina D e creatina têm evidências científicas que demonstram benefícios em situações específicas.

A vitamina D, por exemplo, é fundamental para a saúde óssea e para o metabolismo do cálcio, sendo frequentemente indicada em casos de deficiência ou em doenças como a osteoporose.

Já o whey protein é essencial para a manutenção e a síntese de massa muscular, especialmente em idosos com ingestão dietética inadequada. Ensaios clínicos mostram melhora na composição corporal e na força muscular com suplementação proteica adequada, contribuindo em quadros de sarcopenia.

A creatina também tem sido estudada como aliada na preservação da força e da função muscular quando associada à prática de exercícios regulares. Estudos mais recentes indicam melhora da memória, do ânimo e da disposição.

Riscos do uso sem orientação

No entanto, é importante destacar que suplementos não são isentos de riscos, especialmente em idosos. O uso sem orientação médica pode resultar em efeitos adversos, interações medicamentosas ou consumo de doses inadequadas.

Um exemplo frequente é o uso excessivo de vitaminas. Embora essenciais ao organismo, quando ingeridas em quantidades acima do necessário, podem causar danos à saúde. A vitamina D, por exemplo, em excesso pode levar ao acúmulo de cálcio no organismo, provocando alterações metabólicas e até calcificações vasculares e em tecidos, além de comprometer o funcionamento de órgãos como os rins. A deficiência dessa vitamina é muito comum entre idosos – devido à menor produção cutânea com a idade, menor exposição ao sol e hábitos alimentares inadequados – e está associada à redução da força muscular e ao risco aumentado de sarcopenia e quedas. Estudos indicam que níveis séricos baixos de vitamina D estão correlacionados com pior desempenho físico e maior prevalência de sarcopenia em pessoas idosas.

Outro ponto de atenção é que muitos idosos já fazem uso de múltiplos medicamentos, o que aumenta o risco de interações com suplementos ou de sobrecarga metabólica, renal e/ou hepática.

Como usar com segurança

Por isso, a recomendação é clara: a suplementação deve sempre ser individualizada e orientada por um profissional de saúde, após avaliação clínica, embasamento de exames laboratoriais e análise do padrão alimentar para determinar quando há real necessidade de reposição.

Tomar suplementos sem deficiência comprovada ou sem acompanhar dieta e atividade física adequadas muitas vezes não traz benefícios mensuráveis – e pode até gerar efeitos colaterais.

Em vez de soluções rápidas, soros milagrosos e vitaminas que ajudam “para tudo”, o envelhecimento saudável continua sendo sustentado por pilares bem conhecidos: alimentação equilibrada, atividade física regular, acompanhamento médico e, quando necessário, suplementação feita com segurança e critério. Nem tudo o que é “natural” é seguro ou neutro de efeitos.

Dra. Julianne Pessequillo - CRM 160.834 /RQE: 71.895

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