Cirurgia Oncológica

Páscoa pode aumentar compulsão alimentar e acender alerta para saúde mental

Excesso de chocolate e encontros em torno da comida podem virar gatilho para ansiedade, culpa e perda de controle em pessoas com relação difícil com a alimentação.

Por Redação Brazil Health , 01/04/2026

3 min de leitura

Páscoa pode aumentar compulsão alimentar e acender alerta para saúde mental

A chegada da Páscoa, tradicionalmente marcada pelo consumo de chocolate e por reuniões familiares à mesa, pode ser um período sensível para quem tem uma relação emocional complicada com a comida. Especialistas alertam que, em vez de celebrar, algumas pessoas podem vivenciar aumento de ansiedade, culpa, episódios de compulsão alimentar e sensação de descontrole.

O tema ganha relevância em meio ao crescimento dos transtornos alimentares no mundo. A Organização Mundial da Saúde aponta essas condições entre as que mais avançam na área de saúde mental, frequentemente associadas a ansiedade, depressão e estresse. No Brasil, a Associação Brasileira de Psiquiatria também tem observado aumento na incidência de transtornos alimentares e comportamentos compulsivos, sobretudo em contextos de maior pressão emocional e social.

Pesquisas reforçam a ligação entre alimentação e regulação emocional. Um levantamento publicado no Journal of Eating Disorders relaciona episódios de compulsão à dificuldade de lidar com emoções, com a comida usada como estratégia para enfrentar sentimentos negativos. Já a Harvard Medical School destaca fatores emocionais como gatilhos importantes para padrões alimentares disfuncionais.

Quando o chocolate vira gatilho

Para a psicóloga Andrea Beltran, a Páscoa pode funcionar como um “amplificador” de conflitos já existentes. “Para muitas pessoas, o chocolate e os encontros em torno da comida não representam apenas prazer, mas também ansiedade, culpa, vazio e perda de controle. Esse período pode intensificar uma relação já fragilizada com o alimento”, afirma.

Na leitura da psicologia junguiana, a forma como cada um se relaciona com a comida pode sinalizar questões psíquicas mais profundas. “Quando comer deixa de ser uma escolha consciente e passa a funcionar como uma tentativa de aliviar dores internas, estamos diante de um sinal importante. A compulsão alimentar, muitas vezes, não está ligada apenas à fome do corpo, mas a uma fome emocional e simbólica”, diz.

O que pode estar por trás do descontrole

Segundo a especialista, a compulsão pode se associar a frustrações acumuladas, solidão, carência afetiva, estresse e dificuldade de identificar o que falta emocionalmente. “Em vez de nomear a dor, a pessoa tenta silenciá-la com o excesso”, afirma. Ela acrescenta que sintomas como esse tendem a ser uma saída para emoções difíceis não elaboradas: “Muitas vezes, a compulsão aparece como uma tentativa inconsciente de suportar emoções difíceis ou de buscar um conforto imediato diante de conflitos que ainda não foram elaborados”.

Quando buscar ajuda

Além do impacto emocional, a compulsão pode ter consequências físicas e agravar problemas de saúde. A Organização Pan-Americana da Saúde relaciona comportamentos alimentares desregulados ao aumento do risco de obesidade, doenças metabólicas e piora da saúde mental, o que pode alimentar um ciclo difícil de interromper.

Beltran destaca que a terapia pode ajudar a identificar gatilhos, diferenciar fome física de fome emocional e construir estratégias mais saudáveis para lidar com o sofrimento. “Em vez de olhar apenas para o comportamento alimentar, buscamos compreender a história emocional da pessoa, seus gatilhos, padrões, dores e faltas”, explica.

Para ela, a data também pode ser um convite a mais consciência e menos culpa. “Quando a pessoa entende que a compulsão não define quem ela é, mas sinaliza algo que precisa ser cuidado, abre-se a possibilidade de transformação”, conclui.