Acupuntura

Relógios e apps de treino ajudam a sair do sedentarismo, mas podem gerar ansiedade

Dispositivos que medem sono, passos e batimentos incentivam hábitos saudáveis e apoiam treinos, porém especialistas alertam que seguir números sem critério pode atrapalhar a evolução e aumentar a insegurança.

Por Redação Brazil Health , 18/06/2026

4 min de leitura

Relógios e apps de treino ajudam a sair do sedentarismo, mas podem gerar ansiedade

Relógios inteligentes, aplicativos e outros dispositivos vestíveis se tornaram parte da rotina de quem quer começar a se exercitar, perder peso ou melhorar o condicionamento físico. Ao reunir dados sobre sono, frequência cardíaca e tempo de atividade, essas ferramentas podem aumentar a motivação e ajudar na organização do dia a dia. O problema começa quando as métricas passam a ditar decisões sem considerar sinais do corpo e orientação profissional.

O mental coach de atletas Emmerson Patrick Mendes, 49, relata que recorreu à tecnologia para apoiar mudanças de hábitos depois de receber diagnóstico de pré-diabetes. Em cerca de quatro meses, ele afirma ter reduzido o peso de 88 kg para 69 kg, com acompanhamento especializado e ajustes na rotina, incluindo sono, alimentação, hidratação e prática regular de exercícios.

“A tecnologia ajuda a medir, lembrar e organizar, mas a mudança depende de constância e decisão pessoal”, diz Mendes. Para ele, os recursos funcionaram como apoio para manter regularidade, mas não substituíram o esforço de seguir o plano proposto.

Por que os dados podem ajudar no começo

Para o ortopedista e especialista em medicina esportiva Paulo Roberto de Queiroz Szeles, do Hospital Sírio-Libanês, a principal barreira para muitos brasileiros ainda é iniciar a prática de atividade física. Nesse cenário, ver informações simples pode servir como estímulo.

“Hoje, o mais difícil é motivar as pessoas a treinarem. Muitas vezes, simplesmente acompanhar passos, frequência cardíaca ou qualidade do sono já faz com que a pessoa se movimente mais e comece a mudar hábitos”, afirma Szeles.

Segundo o médico, não é necessário investir em modelos sofisticados para obter benefícios. “O básico já costuma funcionar muito bem no início do processo. Um relógio simples ou até aplicativos no celular podem ajudar bastante, desde que a tecnologia faça sentido para a rotina daquela pessoa”, diz.

Quando a métrica vira armadilha

O especialista alerta, porém, que a dependência excessiva de números pode levar à ansiedade e até prejudicar os resultados. “Tem gente que deixa de treinar porque o relógio mostrou uma recuperação ruim, mesmo quando a pessoa se sente bem. Outros ignoram sinais do corpo porque o dispositivo disse que está tudo certo. As métricas precisam ser interpretadas, não seguidas cegamente”, afirma.

Szeles lembra que fatores como alimentação, hidratação, fortalecimento muscular, descanso e saúde mental continuam sendo pilares do desempenho e da prevenção de lesões, independentemente do que aparece na tela.

Alta performance também precisa de interpretação humana

No esporte profissional, wearables ajudam equipes a acompanhar carga de treino, recuperação e possíveis riscos de lesões, apoiando decisões das comissões técnicas. Ainda assim, o médico ressalta que dados isolados têm limites. “Os dados ajudam a entender o quanto o atleta está suportando de carga física, mas, sozinhos, não bastam”, diz.

Mesmo com ferramentas avançadas de análise, Szeles defende que a leitura dos números deve levar em conta o contexto individual. “A tecnologia consegue organizar informações, mas ainda não compreende completamente fatores como estresse, desgaste emocional e o contexto individual de cada atleta”, afirma.

Para o especialista, o melhor uso dessas ferramentas é como apoio para constância e consciência corporal, sem substituir acompanhamento profissional ou a percepção do próprio corpo. “A tecnologia funciona melhor quando ajuda a pessoa a treinar com mais consciência e regularidade, sem se tornar mais importante do que o exercício em si”, conclui.