Oftalmologia

Exaustão das redes sociais: quando o celular vira um “coliseu” na palma da mão

Hiperconexão, comparações e brigas online podem drenar a saúde emocional e afetar relações. Especialista explica por que isso acontece e lista atitudes práticas para reduzir o impacto no dia a dia.

Por Redação Brazil Health , 22/03/2026

4 min de leitura

Exaustão das redes sociais: quando o celular vira um “coliseu” na palma da mão

O que antes era um grande espetáculo público, hoje cabe na tela do celular. Para a enfermeira e pesquisadora Amanda G. F. C. Matarazzo, as redes sociais passaram a ocupar um lugar parecido com o dos coliseus na Roma antiga: um espaço que captura a atenção coletiva, molda comportamentos e influencia a forma como as pessoas se veem e se relacionam.

No texto, ela compara o anfiteatro romano, onde a população se reunia para assistir a lutas e execuções, ao feed infinito de vídeos, comentários e polêmicas disponível 24 horas por dia. “Da mesma forma que os coliseus antigos capturavam o olhar, a atenção e o imaginário coletivo, hoje o celular e os aplicativos de redes sociais representam os espetáculos que chamam a atenção das pessoas para dedicarem seu tempo, sempre à disposição: na palma das mãos”, escreve.

Segundo a autora, além de entretenimento, a lógica das redes também mexe com a identidade e a autoestima. “Se no anfiteatro romano se construíam identidades, hoje a identidade virtual passou a ser cuidadosamente esculpida, filtrada e comparada, num ciclo contínuo de validação e vigilância social”, afirma.

Ela cita ainda uma estimativa de tempo de uso no país: “Para se ter noção, no Brasil, cerca de oito horas são dedicadas as redes sociais utilizando smartphones e computadores”, registra no artigo.

Como a hiperexposição pode virar desgaste emocional

A autora descreve uma rotina marcada pela necessidade de estar sempre atualizado, com medo de “ficar para trás”, alimentada por conteúdos que viralizam em segundos e se repetem em um ciclo contínuo. “Vivem e estão no online para vencer a suposição de estar ficando para trás e estar desatualizado e desconectado do mundo paralelo”, pontua.

O problema, alerta Matarazzo, é quando essa dinâmica se soma a quadros já existentes, como ansiedade, ou acelera um processo de exaustão. “É claro que isso tem impactos emocionais importantíssimos… para que o imediato, o acontecimento presente, não vire uma bola de neve e atravesse por cima de quem já possui um acometimento psicológico como ansiedade e agrave outros transtornos, como a fadiga e exaustão”, escreve.

Política, algoritmo e a sensação de viver em “realidades paralelas”

Outro ponto destacado no artigo é o efeito dos algoritmos sobre temas que provocam forte reação emocional, como política. Para a autora, entender como as redes entregam conteúdo ajuda a evitar que o usuário vire refém de um ciclo de estímulos repetidos. “Compreender o que está por detrás dos algoritmos e como funcionam nos ajudam a prevenir de sermos reféns do ‘controle comportamental’”, afirma.

Ela descreve um mecanismo comum: quanto mais uma pessoa interage com um tipo de postagem (por identificação ou rejeição), mais o sistema tende a entregar conteúdos semelhantes. “Essa atenção excessiva e repetida… acaba como que ‘treinando’ o algoritmo da rede social a entregar somente aquele tipo de conteúdo”, explica.

O resultado pode ser o empobrecimento do diálogo e a perda de empatia. “Perde-se a empatia pelo outro… e dedica-se o espaço da vida das pessoas às discussões inúteis em redes sociais, com nenhum tipo de construção positiva”, escreve.

Sinais de alerta e medidas para se proteger

Matarazzo lista impactos associados ao uso irrestrito das redes, como “fadiga emocional, desgaste de relacionamentos, isolamento social, depressão”, além de “nomofobia (medo de ficar longe do celular)” e dificuldades de atenção, entre outros efeitos descritos no texto.

Para reduzir danos e recuperar o equilíbrio, a autora recomenda medidas de autocuidado e limites práticos no cotidiano:

  • Estabelecer tempo de dedicação às redes sociais, principalmente desligar-se uma hora antes de dormir;
  • Desligar as notificações dos aplicativos para diminuir a sensação de urgência;
  • Praticar uma “higiene digital”, selecionando melhor os conteúdos e perfis que alimentam comparações ou drenam energia;
  • Priorizar interações reais e evitar consultar o celular durante encontros;
  • Criar períodos de desconexão, como meditação guiada ou leitura de livro físico;
  • Observar sinais internos, como irritabilidade, tristeza ou agitação, e, quando necessário, buscar apoio profissional.

Ao final, a especialista resume a proposta: reduzir o ruído, recuperar a presença e fortalecer vínculos fora da tela. “Reconectar-se consigo e com os outros é a chave para mantermos saudáveis!”, conclui.