Climatério

Climatério: por que a barriga cresce e como manter o peso após os 40

Queda hormonal muda o metabolismo e favorece gordura abdominal; veja orientações de médico sobre alimentação, treino e sono na fase que antecede a menopausa.

Por Redação Brazil Health , 12/11/2025

4 min de leitura

Climatério: por que a barriga cresce e como manter o peso após os 40

O climatério, período de transição que antecede a menopausa e geralmente ocorre entre os 40 e 50 anos, traz mudanças que impactam o corpo e a balança. A redução de hormônios como estrogênio e progesterona desacelera o metabolismo, favorecendo perda de massa muscular e aumento da gordura na região da barriga.

“Com a queda do estrogênio ocorre uma redistribuição da gordura. No climatério e na menopausa, ela passa a se acumular principalmente no abdômen, mas também pode aumentar nas costas e braços”, explica o médico do esporte e nutrólogo Thiago Viana.

Segundo a North American Menopause Society, mulheres podem ganhar até 5 cm de circunferência abdominal nos primeiros anos pós-menopausa, mesmo sem grandes mudanças na balança. A alteração na sensibilidade à insulina e no metabolismo das gorduras ajuda a explicar o fenômeno.

Esse acúmulo não é apenas estético. “A gordura visceral, que fica entre os órgãos, aumenta a chance de síndrome metabólica, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol alto e doenças cardiovasculares. Também há associação com maior risco de alguns tipos de câncer, como o de mama”, alerta Viana.

Metabolismo mais lento, barriga maior

Além da “barriguinha” mais evidente, a fase pode trazer cansaço, ondas de calor e alterações no sono. A perda de músculo e a queda da densidade óssea exigem atenção redobrada para prevenir dores, fraturas e perda de funcionalidade no dia a dia.

A intensidade dos sintomas varia, mas especialistas reforçam que intervenções no estilo de vida fazem diferença. Ajustes na alimentação, prática regular de exercícios e melhora do sono ajudam a controlar o peso, proteger o coração e preservar ossos e músculos.

Três pilares para atravessar a fase

Viana frisa que emagrecer continua possível, mesmo com o metabolismo mais lento. “Estratégias que unem nutrição adequada, exercícios — especialmente musculação combinada a atividades aeróbicas — e, em alguns casos, suplementação ou medicamentos podem trazer excelentes resultados. A chave está na personalização do plano”, afirma.

Na alimentação, a orientação é priorizar proteínas em todas as refeições, verduras, legumes, frutas e alimentos ricos em fibras, reduzindo ultraprocessados, açúcares e álcool. Hidratação adequada também ajuda no controle do apetite e do bem-estar.

Nos treinos, o foco é preservar e ganhar massa muscular com exercícios de força duas a três vezes por semana, aliados a atividades aeróbicas como caminhada, bicicleta ou natação. Essa combinação melhora a sensibilidade à insulina, acelera o gasto calórico e fortalece os ossos.

O sono de qualidade completa o trio. Dormir entre sete e oito horas, regular horários e reduzir telas à noite colabora para o equilíbrio de hormônios ligados ao apetite e ao estresse, como o cortisol.

Quando buscar orientação

Consultas regulares são recomendadas para checar saúde óssea, cardiovascular e metabólica, com exames como densitometria, avaliação da pressão, glicemia e colesterol. O médico poderá discutir, caso a caso, opções como terapia hormonal, suplementação e uso de medicamentos.

O apoio psicológico também pode ser útil, já que a fase pode afetar humor, autoestima e disposição. Encarar o climatério como oportunidade de cuidado — e não como sentença de ganho de peso — ajuda a manter a disciplina e a qualidade de vida.

“Envelhecer é inevitável; envelhecer com saúde é uma escolha que passa por acompanhamento profissional e mudança de hábitos”, conclui Viana.