Dermatologia

Melatonina: o que se sabe sobre sono e possíveis efeitos no coração

Com insônia e despertares noturnos em alta no Brasil, especialistas reforçam que o hormônio ajuda a regular o relógio biológico, mas o uso como suplemento pede orientação profissional e não substitui tratamento médico.

Por Redação Brazil Health , 26/03/2026

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Melatonina: o que se sabe sobre sono e possíveis efeitos no coração

Distúrbios do sono viraram uma preocupação frequente no país. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde, com base em estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indicam que cerca de 72% dos brasileiros relatam algum tipo de alteração, como dificuldade para pegar no sono, acordar muitas vezes à noite e insônia.

O tema também ganhou força nas buscas na internet: segundo dados recentes do Google Trends, o interesse por termos ligados à insônia alcançou em 2025 o maior nível da série histórica, refletindo a preocupação crescente com a qualidade do descanso.

Nesse cenário, a melatonina passou a ser mais citada em conversas e redes sociais, o que aumenta a circulação de dúvidas e informações incompletas. A substância é um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e tem papel central na regulação do ritmo circadiano – o “relógio biológico” que organiza o ciclo sono–vigília.

Para que serve a melatonina

A produção de melatonina ocorre principalmente à noite e funciona como um sinal para o corpo entender que é hora de desacelerar. Em algumas situações específicas, a suplementação pode ser considerada para ajudar a reorganizar horários de sono, como em casos de jet lag, trabalho em turnos ou na redução natural da produção do hormônio com o envelhecimento.

“A suplementação pode ajudar o organismo a sinalizar o início do período de descanso, favorecendo a organização do ciclo sono–vigília. O uso deve ser individualizado e orientado por profissionais de saúde, respeitando as recomendações e os limites regulatórios”, afirma o cardiologista Humberto Villacorta (CRM-RJ 569810).

O que a ciência investiga sobre o coração

Além do efeito no sono, estudos vêm avaliando possíveis ações da melatonina em processos do organismo relacionados ao sistema cardiovascular, como mecanismos antioxidantes e anti-inflamatórios, além de efeitos em estruturas e funções celulares.

Entre os achados sugeridos por pesquisas clínicas e experimentais, estão:

  • melhora da função endotelial (camada interna dos vasos sanguíneos);
  • modulação do estresse oxidativo;
  • redução de processos ligados ao remodelamento cardíaco;
  • melhora de marcadores associados à função do coração e à qualidade de vida em grupos específicos.

Especialistas ponderam, porém, que problemas de sono muitas vezes aparecem junto com outras condições crônicas, inclusive doenças cardiovasculares. Essa associação pode levar a maior busca por estratégias para dormir melhor, sem que isso signifique, por si só, uma relação direta de causa e efeito.

Uso responsável e regras no Brasil

“A melatonina segue sendo objeto de investigação científica rigorosa. Há um número crescente de estudos que exploram seus potenciais efeitos fisiológicos, ao mesmo tempo em que reforçam a importância do uso responsável, individualizado e com orientação de profissionais de saúde”, diz Villacorta.

No Brasil, a melatonina é regulamentada como suplemento alimentar, com limite de dosagem e sem indicação terapêutica formal. Por isso, médicos e outros profissionais de saúde recomendam cautela com a automedicação, especialmente para pessoas com doenças crônicas, uso de múltiplos medicamentos, gestantes e idosos.