Autoimagem

Verão e pressão estética: especialistas pedem foco na saúde, não no corpo magro

Com maior exposição do corpo e redes sociais, cresce a procura por soluções rápidas. Médicos e psicólogos defendem acompanhamento e metas realistas para evitar danos físicos e emocionais.

Por Redação Brazil Health , 01/02/2026

3 min de leitura

Verão e pressão estética: especialistas pedem foco na saúde, não no corpo magro

A chegada do verão costuma intensificar a cobrança por emagrecimento rápido. Endocrinologistas e psicólogos alertam que perder peso deve ser uma decisão baseada em saúde – e não uma resposta à culpa, à comparação nas redes ou a padrões inalcançáveis.

Segundo o endocrinologista Victor Coimbra, do Eco Medical Center, a motivação estética é frequente, mas raramente isolada. “Muitos pacientes chegam motivados por questões estéticas, mas ao longo da consulta percebem que o excesso de peso quase sempre vem acompanhado de alterações metabólicas”, afirma, citando risco cardiovascular e outros marcadores. Para ele, “o emagrecimento deve priorizar a saúde”, e ganhos estéticos tendem a ser consequência do cuidado contínuo.

Pressão sazonal e o apelo das canetas

No verão, a exposição do corpo e os eventos sociais ampliam a comparação e a busca por atalhos. “Existe uma pressão social maior, o que pode levar à procura por soluções imediatas. Mas o emagrecimento saudável não deve ser sazonal, nem baseado em promessas rápidas”, diz Coimbra.

O médico destaca a popularização das “canetas emagrecedoras”, inicialmente indicadas para diabetes e hoje presentes em protocolos para obesidade. “Esses medicamentos deram visibilidade ao tratamento e reduziram o estigma, mas também criaram a falsa ideia de uma solução simples e universal”, afirma. Ele ressalta que a indicação depende de critérios clínicos, como índice de massa corporal, presença de comorbidades e histórico metabólico, e não substitui avaliação médica, acompanhamento e mudanças sustentáveis no estilo de vida.

Velocidade não é sinônimo de saúde

Entre os erros mais comuns estão dietas restritivas, automedicação e a comparação com resultados alheios. O efeito sanfona, a perda de massa muscular e a frustração são consequências frequentes. “Emagrecer rápido quase nunca significa emagrecer com saúde”, resume Coimbra.

Por isso, a inclusão do suporte psicológico é indicada quando há ansiedade, compulsão alimentar, baixa autoestima ou sofrimento relacionado ao peso. A abordagem multidisciplinar ajuda a ajustar metas, reduzir recaídas e fortalecer hábitos duradouros.

Autoimagem e saúde mental

A psicóloga Aline de Menezes, do Eco Medical Center, observa que as redes sociais intensificam comparações e prazos irreais. “Muitas vezes, essa busca não está ligada à saúde, mas à pressão estética e social”, diz. Para ela, soluções rápidas podem alimentar expectativas irreais e a crença de que o valor pessoal depende do número na balança.

Sinais como ansiedade excessiva, culpa ao comer, rigidez alimentar e isolamento social indicam que a relação com o corpo se tornou fonte de sofrimento. “Quando o emagrecimento vira controle, punição e sofrimento, é um alerta”, afirma Menezes. Ela reforça: “Cuidar da saúde mental é parte essencial de qualquer processo de cuidado com o corpo”.

Para os especialistas, tecnologia, medicamentos e procedimentos estéticos podem fazer parte do plano quando bem indicados. É legítimo desejar mudanças, desde que as escolhas priorizem segurança, acompanhamento profissional e metas realistas, com foco no bem-estar físico e emocional.