Fisioterapia

Seu corpo está guardando suas emoções? Entenda a ligação entre estresse e dor

Por Dra. Monica Schapiro , 18/04/2026

3 min de leitura

Seu corpo está guardando suas emoções? Entenda a ligação entre estresse e dor

Como a fáscia e o sistema nervoso se influenciam e por que isso pode explicar dores e tensão no dia a dia, segundo a fisioterapeuta Monica Schapiro.

Quando falamos em emoções, quase sempre pensamos no cérebro. Quando falamos em dor, pensamos em músculos ou articulações. Mas o corpo não funciona em compartimentos isolados. Existe uma rede que conecta estruturas físicas e dialoga diretamente com o sistema nervoso: a fáscia.

O papel da fáscia nessa conexão

A fáscia é um tecido conjuntivo que envolve e interliga músculos, órgãos, nervos e ossos. Hoje sabemos que ela não é apenas um “invólucro”, mas um tecido ativo, ricamente inervado e sensível às alterações do ambiente interno. Isso significa que ela participa da forma como sentimos o próprio corpo e de como reagimos ao estresse.

A ciência vem mostrando que o corpo e as emoções mantêm uma relação constante e bidirecional. O que sentimos influencia nossos tecidos. E o estado desses tecidos também influencia o que sentimos.

Estresse crônico e tensão corporal

Diante de uma situação de ameaça ou pressão, o organismo ativa o sistema nervoso simpático, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina. Essa resposta é saudável quando ocorre de forma pontual. O problema surge quando o estresse se torna crônico.

Sob ativação prolongada, há aumento do tônus muscular, mudanças no padrão respiratório e maior rigidez corporal. A fáscia, por ser uma rede contínua e sensível às cargas mecânicas e químicas, também responde a esse estado. Pode ocorrer redução de mobilidade entre as camadas dos tecidos, sensação de encurtamento e dor difusa.

Muitas pessoas relatam que “carregam tensão no corpo” durante períodos de ansiedade ou sobrecarga emocional. Essa percepção não é apenas subjetiva. Há uma base neurofisiológica para essa experiência.

Dor persistente e impacto emocional

A relação também acontece no sentido inverso. Quando existe dor crônica, especialmente de longa duração, o sistema nervoso pode entrar em estado de hipersensibilidade. Isso significa que o limiar para a dor diminui, e o cérebro passa a interpretar estímulos comuns como ameaçadores.

Diversos estudos mostram que a dor crônica está associada a maior risco de ansiedade e depressão. Não porque a fáscia “cause” depressão, mas porque o sofrimento físico contínuo altera a qualidade de vida, o sono, a disposição e o funcionamento do sistema nervoso. Corpo e mente não se separam nesse processo.

Da mesma forma, quadros depressivos e ansiosos podem modificar postura, padrão respiratório e nível de atividade física, o que repercute nos tecidos, inclusive na fáscia. É um ciclo complexo, que precisa ser compreendido com responsabilidade.

Por isso, ao avaliar dor persistente, é fundamental considerar não apenas exames de imagem ou estruturas isoladas, mas o contexto global do indivíduo – histórico de estresse, rotina, sono, saúde emocional e padrão de movimento. Cada caso é único e exige avaliação cuidadosa.

Falar sobre a conexão entre fáscia e emoções não é transformar sentimento em lesão, nem reduzir a saúde mental a um problema físico. É reconhecer que somos um sistema integrado. Quando o cuidado respeita essa integração, ampliamos as possibilidades de prevenção, tratamento e, principalmente, de compreensão do próprio corpo.

Monica Schapiro | CREFITO – 423396-F

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Membro Brazil Health