Psicologia

Compulsão Alimentar: Como Identificar, Entender e Lidar com o Problema

A compulsão alimentar interfere no bem-estar físico e emocional, podendo criar um ciclo de culpa e frustração que impacta diversos aspectos da vida.

Por Dra. Marina Dammous , 16/07/2025

3 min de leitura

Compulsão Alimentar: Como Identificar, Entender e Lidar com o Problema

A compulsão alimentar acomete 3,5% das mulheres e 2% dos homens, e não envolve comportamentos compensatórios, como provocar vômitos ou o uso de laxantes.

Para chegarmos ao diagnóstico de compulsão alimentar, o paciente precisa apresentar sintomas pelo menos uma vez por semana, durante três meses, como:

  • Comer rapidamente grandes quantidades de comida, mesmo sem fome
  • Comer até sentir-se desconfortavelmente cheio
  • Sentir culpa, vergonha ou arrependimento após os episódios
  • Comer escondido ou em horários incomuns para evitar que outros percebam
  • Ter a sensação de falta de controle em relação à alimentação

É importante diferenciar compulsão alimentar de fome emocional. Na fome emocional, o paciente, sem sentir fome física, desconta suas emoções na comida como uma resposta a elas (ansiedade, medo, tristeza, tédio) e busca alimentos altamente palatáveis (doces ou salgados de sua preferência), que trazem sensação de alívio ou conforto assim que ingeridos. Todos nós passamos por momentos assim, mas o problema surge quando a comida se torna a única fonte de prazer.

Ou seja, a fome emocional pode ser um gatilho para a compulsão, mas nem toda fome emocional se torna uma compulsão.

Fatores que influenciam a compulsão alimentar

Emocionais: ansiedade, tristeza, estresse, insatisfação com a imagem corporalFísicos: desequilíbrio em neurotransmissores que regulam o humor (serotonina e dopamina), aumentando a busca por alimentos altamente calóricos, além de desequilíbrios hormonais ligados à fomeGenéticosAmbientais: dietas restritivas, histórico de alimentação desregulada

A compulsão pode gerar impactos negativos tanto na saúde física (diabetes tipo 2, hipertensão, problemas gastrointestinais, aumento do colesterol e dos triglicérides) quanto na saúde emocional (ansiedade, depressão, piora da autoestima, frustração, entre outros), tornando-se um ciclo vicioso. Ou seja, a pessoa busca a comida como forma de consolo para lidar com o mal-estar emocional, o que gera mais frustração, agravando a ansiedade e a depressão.

Como lidar com a compulsão?

O primeiro passo é buscar ajuda de um psicólogo e/ou psiquiatra. A psicoterapia é fundamental para que o paciente aprenda a identificar os gatilhos emocionais e a lidar com eles, além de trabalhar sua relação com a comida.

Vale ressaltar a importância de práticas como meditação e mindfulness, exercícios físicos e atividades prazerosas que não envolvam apenas a alimentação. Caso necessário, o uso de medicamentos também pode ser essencial no tratamento, auxiliando no equilíbrio hormonal e dos neurotransmissores ligados à compulsão.

Muitos pacientes sentem vergonha de pedir ajuda, como se isso fosse uma fraqueza, falta de “vergonha na cara” ou de disciplina, o que pode agravar ainda mais as consequências. Comer é prazeroso, mas quando passa a causar sofrimento, é fundamental procurar ajuda.