Trombose

Viagens longas e varizes: como reduzir o risco de trombose

Imobilidade, álcool e pouca água favorecem coágulos nas pernas. Especialistas explicam sinais de alerta e cuidados simples para prevenir.

Por Redação Brazil Health , 20/12/2025

3 min de leitura

Viagens longas e varizes: como reduzir o risco de trombose

Longos períodos sentado, pouca hidratação e mudanças na rotina aumentam o risco de trombose venosa profunda, especialmente em quem tem varizes. O alerta é da cirurgiã vascular Camila Kill, mestre em cirurgia pela Santa Casa de São Paulo, que reforça a atenção em deslocamentos prolongados.

A trombose venosa profunda ocorre quando se formam coágulos nas veias profundas das pernas; se migram para o pulmão, podem causar embolia pulmonar. Estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular indicam que uma parcela relevante dos adultos convive com insuficiência venosa, condição que facilita esse processo.

“A combinação de viagem prolongada com pouca hidratação é um gatilho clássico de trombose. Pacientes com varizes devem redobrar a atenção”, afirma Kill.

Imobilidade e desidratação elevam o risco

Deslocamentos com mais de quatro horas são reconhecidos como fator de risco para trombose. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ficar muito tempo sentado reduz o retorno do sangue das pernas e favorece o acúmulo nas veias. Em quem tem varizes, esse efeito tende a ser maior por falhas nas válvulas venosas.

Mesmo jovens sem histórico podem estar expostos quando somam varizes, uso de anticoncepcionais, desidratação e imobilidade. “O risco não está apenas na viagem, mas na soma de comportamentos comuns nesse período”, diz a especialista.

Álcool, calor e cabine seca pioram o cenário

O álcool tem efeito diurético, favorece a desidratação e torna o sangue mais espesso, dificultando a circulação. Em aviões, onde o ar é mais seco, e em locais quentes, a perda de líquido aumenta. Noites mal dormidas e excesso de sal também contribuem para inchaço e piora dos sintomas venosos.

Sinais que pedem atendimento

Dor na panturrilha, inchaço em apenas uma perna, vermelhidão, calor local ou endurecimento são sinais de alerta e exigem avaliação médica imediata. A trombose, no entanto, pode ser silenciosa. “Nem sempre há dor intensa. Por isso, quem tem varizes ou histórico familiar precisa manter vigilância”, orienta Kill.

Diretrizes nacionais citam mais de 520 mil internações por tromboembolismo venoso ao longo de uma década, reforçando o impacto da doença e a necessidade de prevenção.

Cuidados práticos para viajar com segurança

Para reduzir o risco durante deslocamentos longos, especialistas recomendam:

  • Levantar-se e caminhar a cada uma ou duas horas, sempre que possível
  • Movimentar pés e fazer contrações da panturrilha enquanto estiver sentado
  • Beber água com frequência e intercalar álcool com água
  • Evitar roupas apertadas nas pernas e na virilha
  • Usar meias de compressão quando houver orientação médica
  • Planejar consultas prévias se há varizes, histórico de trombose, uso de hormônios ou cirurgias recentes

“Pequenas atitudes fazem diferença real na prevenção de complicações graves”, conclui a cirurgiã vascular.

Quem tem varizes, histórico pessoal ou familiar de trombose, imobilizações recentes ou outras condições de risco deve buscar avaliação médica antes de viagens prolongadas, especialmente em trajetos internacionais.