IA em tomografia identifica risco de quedas a partir da meia-idade, diz estudo
Por Redação Brazil Health , 04/02/2026
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Pesquisa da Mayo Clinic indica que densidade do músculo abdominal supera tamanho na previsão de quedas em adultos de 45 anos ou mais.
Um estudo da Mayo Clinic, publicado na revista Mayo Clinic Proceedings: Digital Health aponta que algoritmos de inteligência artificial aplicados a tomografias do abdômen conseguem antecipar o risco de quedas em adultos a partir dos 45 anos. O trabalho destaca a qualidade da musculatura abdominal, medida pela densidade muscular, como um marcador mais relevante do que o volume do músculo.
Quedas estão entre as principais causas de lesões, sobretudo em pessoas idosas. Ao analisar exames frequentemente realizados por outras razões clínicas, os pesquisadores observaram que parâmetros extraídos por IA, como distribuição de gordura, tamanho e densidade muscular e qualidade óssea, podem sinalizar alterações físicas associadas a maior probabilidade de queda.
Entre as variáveis, a densidade muscular se destacou. "O tamanho muscular é apenas uma medida do volume muscular", afirma a autora principal do estudo, Jennifer St. Sauver, Ph.D., epidemiologista da Mayo Clinic em Rochester. "A densidade muscular é diferente; na tomografia, ela indica o grau de densidade e homogeneidade do tecido muscular."
Como a IA detecta o risco
Segundo os autores, a IA quantifica características do tecido visíveis na tomografia. Músculos mais homogêneos tendem a ser mais densos e a conter menos gordura intramuscular, o que se relaciona a melhor desempenho físico. "Estudos anteriores já sugeriam que a densidade muscular, e não o tamanho, está mais fortemente associada à força e à função física", diz St. Sauver. "Nossos resultados reforçam a ideia de que devemos focar na densidade muscular, e não no tamanho do músculo, ao tentar compreender a função física."
Os cientistas esperavam encontrar relações claras principalmente em idosos, mas a força das associações em pessoas de meia-idade chamou atenção. A musculatura abdominal, parte central da estabilidade corporal, surgiu como componente significativo do equilíbrio e da funcionalidade. "Os músculos das pernas já são associados à função física, mas nossos achados mostram que a musculatura abdominal também desempenha um papel significativo", afirma a pesquisadora.
Implicações para prevenção
Os achados sugerem que informações já disponíveis em tomografias de rotina podem ajudar a identificar precocemente quem precisa de estratégias de prevenção de quedas – como intervenções para fortalecer o tronco, quando adequadas. A abordagem pode complementar avaliações tradicionais focadas em força das pernas e equilíbrio.
Para St. Sauver, a mensagem central é a importância de preservar a força do tronco ao longo do envelhecimento. "Uma das mensagens mais importantes desta pesquisa é manter os músculos abdominais nas melhores condições possíveis", afirma. "Isso pode trazer benefícios que começam na meia-idade e se estendem até a fase mais avançada da vida."
Os autores ressaltam que a análise por IA não substitui a avaliação clínica, mas pode oferecer um alerta adicional ao médico e ao paciente sobre vulnerabilidades físicas. Novos estudos devem detalhar como integrar essas medidas à prática assistencial e avaliar o impacto de intervenções direcionadas à qualidade muscular do tronco.