Cirurgia Oncológica

Por que o cérebro gruda em notícias ruins e como parar o doomscrolling

Psicólogo da Mayo Clinic explica por que a busca por ameaças prende a atenção e dá dicas para reduzir a rolagem compulsiva que pode aumentar ansiedade, piorar o sono e afetar relações.

Por Redação Brazil Health , 24/06/2026

3 min de leitura

Por que o cérebro gruda em notícias ruins e como parar o doomscrolling

Rolar a tela sem parar em busca de más notícias, mesmo quando isso já está fazendo mal, tem nome: doomscrolling. O hábito ganhou força na pandemia, mas segue comum e pode afetar o humor, o sono e a saúde mental, especialmente em pessoas mais ansiosas ou sob estresse.

Segundo Craig Sawchuk, Ph.D., psicólogo da Mayo Clinic, a lógica do comportamento passa por um mecanismo antigo do cérebro. “Quando você pensa na palavra doom (fatalidade), ela evoca uma resposta emocional intensa”, afirma. Em momentos de incerteza, a tendência é buscar informação para tentar se preparar, mas isso pode virar um ciclo difícil de interromper.

De acordo com o especialista, o cérebro é naturalmente atraído por novidade e ameaça. Esse “alarme” ajudou seres humanos a sobreviverem ao identificar perigos rapidamente. No ambiente digital, porém, a mesma engrenagem pode empurrar a pessoa para um consumo repetitivo de conteúdos negativos, elevando a sensação de ansiedade, irritação, desânimo e impotência.

Como o doomscrolling mexe com o humor

O impacto não se limita ao desconforto emocional imediato. A rolagem compulsiva pode piorar o humor ao mexer com pilares básicos do bem-estar, como sono, convívio social e atividade física.

À noite, por exemplo, é comum o doomscrolling prolongar o tempo acordado e levar à privação de sono. “A privação de sono faz com que não sejamos muito agradáveis no convívio. Ficamos menos tolerantes e mais impacientes no dia seguinte”, diz Sawchuk.

Outro efeito citado é a perda de tempo que poderia ser restaurador, como estar com amigos e familiares. Além disso, como costuma ser feito em ambiente fechado e de forma sedentária, o hábito pode reduzir oportunidades de exercício, luz solar e contato com a natureza, fatores associados a menor estresse e melhor humor.

Perguntas para perceber quando passou do limite

Para interromper o piloto automático, o especialista recomenda fazer pequenas checagens durante o uso. A ideia é diferenciar a busca útil de informação de um consumo que só amplia o mal-estar.

  • Você pode fazer algo em relação ao que está lendo ou é algo fora do seu controle?
  • Quanta informação você realmente precisa para decidir ou se planejar?
  • Depois de alguns minutos online, você se sente melhor ou pior?
  • O que está deixando de fazer por ficar rolando a tela?

Estratégias práticas para reduzir o hábito

Depois de identificar os efeitos do doomscrolling na rotina, o passo seguinte é estabelecer limites. Uma das técnicas sugeridas é monitorar o próprio humor em intervalos curtos. “Se você estiver se sentindo pior, preste atenção nisso”, orienta Sawchuk. Ele propõe pausar a cada 5 a 10 minutos para notar como o corpo e a mente reagem.

Outra medida é definir um tempo de uso e cumprir esse combinado com a ajuda de um cronômetro. O psicólogo sugere, como exemplo, limitar a rolagem a 15 ou 20 minutos, duas vezes por dia.

Por fim, ele recomenda substituir parte do tempo de tela por atividades que protegem a saúde mental, como dormir mais cedo, se movimentar e retomar o contato com amigos e familiares.