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Copa do Mundo pode aumentar risco de vício em apostas e transtorno do jogo

Especialistas em saúde mental apontam que a combinação de emoção do torneio e estímulos constantes nas plataformas pode favorecer perda de controle, sobretudo em pessoas mais vulneráveis.

Por Redação Brazil Health , 12/06/2026

3 min de leitura

Copa do Mundo pode aumentar risco de vício em apostas e transtorno do jogo

Com a proximidade da Copa do Mundo, marcada para começar em 11 de junho, cresce a busca por apostas esportivas no país. O movimento acende um alerta de saúde pública: a maior exposição ao jogo durante grandes eventos pode aumentar o risco de Transtorno do Jogo, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema ligado a comportamentos aditivos.

O transtorno se caracteriza por um padrão repetitivo e difícil de controlar, que pode gerar prejuízos financeiros, familiares, acadêmicos e profissionais. Embora a maioria das pessoas aposte de forma ocasional, a intensidade da cobertura esportiva e a presença de publicidade ampliam a chance de que o hábito se torne compulsivo, especialmente em quem já apresenta fatores de risco.

“A dependência não surge apenas pela possibilidade de ganho financeiro. O que mantém muitas pessoas apostando é um mecanismo neurobiológico semelhante ao observado em outras adições. O cérebro passa a responder à expectativa da recompensa, especialmente quando ela ocorre de forma imprevisível”, afirma o psiquiatra Ivan Araújo, professor de Medicina da Universidade Salvador (UNIFACS).

Por que as apostas prendem a atenção

Segundo o especialista, plataformas de apostas exploram mecanismos conhecidos da psicologia comportamental, como recompensas variáveis, notificações frequentes e estímulos que reforçam a continuidade do jogo. “O sistema de recompensa cerebral é particularmente sensível a recompensas imprevisíveis. Pequenos ganhos ocasionais podem reforçar a continuidade das apostas mesmo diante de perdas financeiras repetidas”, diz.

Araújo também alerta para um equívoco comum entre torcedores: “A principal armadilha é acreditar que conhecimento esportivo reduz o risco. Mesmo especialistas em esportes permanecem sujeitos aos mesmos vieses cognitivos e às mesmas probabilidades matemáticas que qualquer outra pessoa”.

Quem está mais vulnerável

Estudos citados pelo psiquiatra indicam maior risco de desenvolver o transtorno entre pessoas com impulsividade, TDAH, transtornos por uso de substâncias, além de quadros de ansiedade e alterações de humor. Adolescentes e jovens adultos também merecem atenção por estarem mais expostos às campanhas publicitárias e à pressão do ambiente social, especialmente em períodos de grande mobilização esportiva.

Sinais de alerta e quando buscar ajuda

Os sinais mais frequentes incluem aumento do valor apostado ao longo do tempo, preocupação constante com apostas, dificuldade de parar, irritação quando não consegue jogar e a tentativa de “recuperar” prejuízos com novas apostas. “O problema costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes o indivíduo procura ajuda apenas quando já existem dívidas importantes, conflitos familiares ou sofrimento emocional significativo”, alerta Araújo.

Entre as orientações de prevenção, especialistas recomendam tratar a aposta apenas como entretenimento, definir previamente limites de tempo e dinheiro e não recorrer a crédito ou empréstimos para jogar. Ao perceber perda de controle, a indicação é interromper a atividade e buscar avaliação profissional. O tratamento pode incluir psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental, e acompanhamento psiquiátrico para condições associadas, como ansiedade e depressão.

“O diagnóstico precoce e a intervenção adequada aumentam significativamente as chances de recuperação e reduzem o impacto financeiro, familiar e emocional causado pelo transtorno”, conclui o psiquiatra.