SBP alerta: whey e creatina não devem virar rotina de crianças e adolescentes
Sociedade Brasileira de Pediatria afirma que não há indicação de uso regular desses suplementos em jovens saudáveis; endocrinologista explica por que a alimentação costuma dar conta das necessidades.
Por Redação Brazil Health , 13/05/2026
3 min de leitura
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou em 5 de maio um alerta sobre o consumo de whey protein e creatina por crianças e adolescentes. A entidade afirma que não existe indicação para o uso rotineiro desses produtos em jovens saudáveis, em meio ao aumento de conteúdos nas redes sociais que incentivam a suplementação precoce.
Na prática, a orientação tem virado demanda frequente nos consultórios. “No meu consultório, os questionamentos tornaram-se diários. Pais me perguntam se podem substituir o achocolatado por whey protein em caixinha ou se é uma boa opção de lanche para crianças pequenas”, diz o endocrinologista pediátrico Miguel Liberato, de São Paulo.
Segundo o médico, outra dúvida recorrente envolve adolescentes e jovens que praticam esportes algumas vezes por semana e buscam creatina com foco exclusivo em desempenho. Para ele, o posicionamento da SBP ajuda a conter uma percepção equivocada que se consolidou nos últimos anos. “A ideia de que crianças precisam de suplementação proteica para crescer melhor ou ganhar massa muscular simplesmente não encontra respaldo científico na maioria dos casos”, afirma.
O que diz a pediatria sobre a necessidade de proteína
De acordo com Liberato, as necessidades de proteína nessa fase tendem a ser superestimadas. “Crianças e adolescentes saudáveis necessitam, em média, de 0,85 a 0,95 g/kg/dia de proteína, valores facilmente atingidos por meio de uma alimentação equilibrada”, explica. Ele acrescenta que, no dia a dia, muitos pacientes já consomem mais do que o necessário apenas com a dieta habitual.
Por que o consumo virou preocupação
O especialista chama atenção para a forma como esses produtos vêm sendo apresentados ao público jovem. “Hoje vemos suplementos com embalagens chamativas, sabores adocicados e versões em goma ou bebida pronta, o que cria uma falsa sensação de que são produtos comuns da alimentação infantil”, alerta.
Riscos do uso sem orientação
Para o endocrinologista, transformar suplementos em hábito sem necessidade clínica pode trazer consequências. “Existe uma sobrecarga metabólica que pode impactar rins, fígado e outros sistemas ao longo do tempo”, afirma, destacando que o risco está principalmente no uso contínuo e sem acompanhamento.
Ele também menciona possíveis efeitos comportamentais, com influência sobre a relação da criança com a comida e com a imagem corporal. “O contato precoce com suplementação e cultura de hipertrofia pode modificar a relação da criança com alimentação e imagem corporal, criando a ideia de que desempenho depende de produtos industrializados”, diz.
O médico reforça que a suplementação pode ser necessária em situações específicas, mas não deve ser adotada como regra. “Existem situações clínicas específicas em que pode ser necessária, mas isso deve ser sempre individualizado e acompanhado por profissionais capacitados”, afirma. Para famílias em dúvida, a recomendação é buscar orientação com pediatra ou nutricionista antes de introduzir qualquer suplemento na rotina.
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