Patologia da Ansiedade

Ansiedade: Psicóloga Explica Diferenças Entre Sentimento e Transtorno Patológico

Especialista esclarece como o sentimento de ansiedade difere do distúrbio que afeta milhões de brasileiros e sugere caminhos para lidar com o problema.

Por Redação Brazil Health , 23/08/2025

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Ansiedade: Psicóloga Explica Diferenças Entre Sentimento e Transtorno Patológico

Em tempos de pressa, cobranças e conectividade permanente, sintomas como tremores, palpitações e dores no peito têm se tornado rotina para muitos. Apesar de frequentes, esses sinais podem indicar mais que uma reação normal: em alguns casos, apontam para o desenvolvimento de um transtorno de ansiedade, condição que impacta a vida cotidiana de milhões de pessoas.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 264 milhões de pessoas sofriam com transtornos de ansiedade em 2019. No Brasil, os números saltavam para 19,4 milhões, colocando o país como líder global em diagnósticos.

Para a psicóloga Maria Klien, pós-graduada em Neuropsicologia, entender a ansiedade é fundamental. “Muitos desejam eliminar a ansiedade por completo, mas isso é incompatível com a existência humana. A ausência total desse estado emocional suprimiria tanto respostas de alerta quanto reações naturais diante de situações importantes”, afirma.

Ansiedade funcional versus ansiedade disfuncional

Segundo Klien, há dois tipos distintos de ansiedade: funcional e disfuncional. A primeira é a resposta biológica do corpo diante de situações de perigo real e tem papel essencial para a sobrevivência. Já a disfuncional ocorre quando mecanismos de defesa se mantêm ativados mesmo sem ameaça concreta, prejudicando o julgamento e dificultando ações cotidianas.

“Quando o corpo permanece em estado de alerta sem necessidade objetiva, se instala um desequilíbrio que prejudica a percepção e a capacidade de responder adequadamente aos acontecimentos”, explica a psicóloga.

Outro fator de agravamento, segundo a especialista, está na tentativa de controlar tudo ao redor. “A ilusão de que podemos dominar completamente o que acontece ao nosso redor é fonte constante de frustração e sofrimento emocional. O que se pode aprender é a modular as próprias respostas”, observa Klien.

Buscar autoconhecimento ajuda a prevenir quadros graves

O caminho para uma relação saudável com a ansiedade passa pelo desenvolvimento da consciência emocional. O processo terapêutico propõe práticas de autoconhecimento e escuta interna para identificar os primeiros sinais de desequilíbrio emocional.

De acordo com Klien:

  • nomear e observar sentimentos com atenção permite que eles fluam sem se acumular
  • reprimir emoções pode dificultar a elaboração delas e gerar sintomas físicos e psíquicos mais graves
  • abrir espaço para o diálogo interno reduz o risco de as emoções retornarem de forma intensa e descontrolada

Identificar e diferenciar entre ansiedade natural e patológica é essencial, reforça a psicóloga, que recomenda buscar apoio especializado se sintomas persistirem ou afetarem a qualidade de vida.