Musicoterapia no autismo auxilia na regulação emocional e no controle da ansiedade
A abordagem pode favorecer comunicação, fortalecer vínculos e contribuir para o bem-estar ao ser incorporada ao acompanhamento
Por Redação Brazil Health , 07/04/2026
3 min de leitura
No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a musicoterapia ganha espaço como uma abordagem usada para apoiar pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na regulação emocional, na comunicação e no manejo da ansiedade. A proposta é utilizar a música de forma clínica e planejada, com objetivos definidos para necessidades do dia a dia, como lidar com sobrecarga sensorial e mudanças de rotina.
O tema se torna mais relevante à medida que crescem os diagnósticos. Nos Estados Unidos, dados do Centers for Disease Control and Prevention indicam que 1 em cada 31 crianças recebe diagnóstico de TEA. No Brasil, estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam cerca de 2,4 milhões de pessoas no espectro.
O que a música pode ativar no cérebro
Pesquisas em neurociência sugerem que a música mobiliza diferentes áreas do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo circuitos relacionados a emoção, atenção, memória e linguagem. Estudos também apontam que estímulos musicais podem se associar à liberação de dopamina, neurotransmissor ligado a prazer e motivação, além de influenciar respostas do sistema nervoso.
Para o musicoterapeuta Gustavo Gattino, essa característica ajuda a explicar o uso terapêutico. “Ela organiza, regula e cria conexões que muitas vezes não conseguimos acessar apenas pela fala. Por isso, ela se torna uma ferramenta tão potente dentro de processos terapêuticos, especialmente no autismo”, afirma.
Por que musicoterapia não é só ouvir música
Segundo Gattino, a musicoterapia é uma intervenção estruturada conduzida por profissional, e não uma atividade recreativa. “A musicoterapia não é apenas ouvir música. É uma intervenção estruturada, com objetivos terapêuticos claros, que utiliza ritmo, som e interação para trabalhar comunicação, vínculo e organização emocional”, diz.
Entre os pontos que podem ser trabalhados estão previsibilidade e organização, aspectos importantes para muitas pessoas autistas. “O ritmo organiza o cérebro. Ele traz uma sensação de segurança e previsibilidade que ajuda na regulação emocional e na redução da ansiedade”, afirma o especialista.
Regulação emocional e ansiedade também fora do TEA
O uso clínico da música também tem sido associado ao manejo de ansiedade, condição comum em diferentes faixas etárias. “A música, quando usada de forma estruturada, pode ajudar o cérebro a mudar de estado — sair da agitação para um estado mais regulado”, afirma Gattino.
De acordo com o musicoterapeuta, a intervenção considera técnica e intencionalidade, com escolhas adaptadas ao perfil do paciente e ao objetivo terapêutico. “Não é qualquer música, nem de qualquer forma. Existe técnica, escolha e intencionalidade. Quando bem aplicada, a música ajuda o corpo e o cérebro a encontrarem um novo equilíbrio”, diz.
Apesar do avanço do tema, a musicoterapia ainda é pouco difundida no Brasil, especialmente quando comparada a outras abordagens de cuidado. Para Gattino, a tendência é de expansão conforme cresce a demanda por estratégias baseadas em evidências e integradas à saúde mental. “Existe uma demanda crescente por abordagens que integrem ciência, emoção e prática. A musicoterapia ocupa exatamente esse espaço e ainda tem muito potencial de crescimento no país”, afirma.