Medicina Intensiva

Copa do Mundo: como torcer à noite sem prejudicar sono, coração e bem-estar

Médico do Hospital Sírio-Libanês alerta para os riscos de noites mal dormidas, excesso de álcool e estimulantes durante o torneio e orienta medidas simples para reduzir mal-estar e evitar emergências.

Por Redação Brazil Health , 11/06/2026

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Copa do Mundo: como torcer à noite sem prejudicar sono, coração e bem-estar

Com muitos jogos da Copa do Mundo previstos para a noite no Brasil, parte dos torcedores deve mudar a rotina para acompanhar as partidas e participar de encontros e comemorações. Especialistas em saúde lembram, porém, que a combinação de pouco sono, bebida alcoólica e alimentação desregulada pode trazer efeitos rápidos no corpo e aumentar o risco de intercorrências, especialmente para quem já tem doenças crônicas.

A privação de sono e a irregularidade nos horários tendem a provocar cansaço, irritabilidade, queda de concentração e piora do desempenho no trabalho e nos estudos. A recomendação geral para adultos é dormir, em média, de sete a nove horas por noite, já que o descanso adequado se relaciona com memória, humor, imunidade e saúde cardiovascular.

“O sono tem papel fundamental na recuperação do organismo, no equilíbrio hormonal e também na resposta imunológica. Quando dormimos pouco ou em horários muito irregulares, o corpo sente rapidamente essa mudança”, afirma Luis Fernando Penna, gerente médico do pronto-atendimento do Hospital Sírio-Libanês.

Álcool, petiscos e desidratação: o efeito em cadeia

Segundo o médico, o problema não é assistir aos jogos, mas repetir excessos ao longo de várias semanas. “O importante é não transformar algumas noites diferentes em uma rotina constante de privação de sono, exagero no álcool e má alimentação”, diz.

Durante as partidas, é comum aumentar o consumo de bebidas alcoólicas e de petiscos ricos em gordura e sódio, além de ultraprocessados. Essa combinação pode favorecer desidratação, azia, náuseas, piora do sono e sobrecarga do sistema cardiovascular.

“Intercalar bebida alcoólica com água é uma estratégia simples, mas muito importante para reduzir desidratação e mal-estar no dia seguinte – melhor ainda seria evitar o consumo da bebida alcoólica por completo”, orienta Penna.

Energia artificial e menos descanso

Outro ponto de atenção é o uso de café e energéticos para “compensar” o sono perdido. “A combinação de poucas horas de sono com álcool e estimulantes pode aumentar palpitações, ansiedade e piorar ainda mais a qualidade do sono”, explica o médico.

O especialista destaca que o corpo costuma sinalizar quando a rotina está pesando: sonolência excessiva, dor de cabeça, irritabilidade, tontura e dificuldade para dormir mesmo após o fim dos jogos são queixas frequentes nessa situação.

Quando é hora de procurar atendimento

Alguns sintomas exigem atenção imediata, principalmente em pessoas com hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. “Dor no peito, falta de ar, desmaios, confusão mental e palpitações persistentes não devem ser ignorados”, alerta Penna.

Ele lembra ainda que a saúde mental pode ser afetada em partidas decisivas, com aumento de ansiedade e tensão. “Fazer pausas, evitar discussões excessivas e respeitar os próprios limites ajudam a tornar a experiência mais saudável”, afirma.

Para reduzir riscos durante o torneio, o médico recomenda:

  • Preservar uma rotina mínima de sono ao longo da semana, mesmo em dias de jogos noturnos.
  • Hidratar-se durante as partidas e alternar álcool com água, se houver consumo.
  • Evitar exageros em petiscos ultraprocessados, frituras e bebidas alcoólicas.
  • Não abusar de café e energéticos, especialmente em combinação com álcool.
  • Levar a sério sinais como cansaço intenso, tontura, falta de ar, palpitações e dor no peito.