Acupuntura

Entorses repetidas no tornozelo: por que algumas pessoas vivem virando o pé

Torções frequentes não são “normalidade”: podem indicar instabilidade crônica, elevar o risco de novas lesões e até acelerar desgaste da articulação.

Por Redação Brazil Health , 21/05/2026

3 min de leitura

Entorses repetidas no tornozelo: por que algumas pessoas vivem virando o pé

Virar o tornozelo ao caminhar, correr ou praticar esportes é um acidente relativamente comum. O sinal de alerta aparece quando isso se repete: entorses frequentes podem indicar que a articulação perdeu parte da estabilidade e passou a “falhar” em situações do dia a dia.

A ortopedista e traumatologista Marina Melhado explica que, em muitos casos, o quadro está ligado à instabilidade crônica do tornozelo, condição em que os ligamentos — especialmente os da parte lateral — não conseguem mais manter a articulação firme como deveriam. “Viver ‘virando o pé’ não é normal e não deve ser aceito como parte da rotina”, alerta a médica.

Após a primeira entorse, se o cuidado é insuficiente ou o retorno às atividades acontece cedo demais, os ligamentos podem não cicatrizar de forma adequada. Com isso, pequenos desníveis no chão, uma mudança rápida de direção ou até uma caminhada comum passam a ter maior chance de desencadear nova torção.

O que pode estar por trás das torções recorrentes

Embora a lesão ligamentar mal tratada seja uma das causas mais frequentes, não é a única. Fraqueza muscular — principalmente dos músculos que ajudam a estabilizar o tornozelo —, alterações na mecânica do pé e perda de propriocepção (a capacidade do corpo de reconhecer a posição da articulação no espaço) também entram na lista de fatores que favorecem a repetição das entorses.

Segundo Marina Melhado, o problema pode virar um ciclo: a pessoa torce, volta às atividades sem reabilitação completa, torce novamente e acumula novos danos. “Cada nova torção pode aumentar a lesão nos ligamentos e, em alguns casos, atingir cartilagem e tendões, mantendo a instabilidade e facilitando novas entorses”, destaca.

Nem sempre a instabilidade se manifesta como dor intensa o tempo todo. Muitas pessoas percebem mais a sensação de insegurança ao pisar, episódios em que o pé “falha” ou torções em situações simples. Com o tempo, porém, o quadro pode evoluir para dor crônica, inchaço persistente e limitação para exercícios e tarefas rotineiras.

Quando não é tratada, a instabilidade crônica também pode favorecer problemas associados, como tendinites, lesões na cartilagem do tálus e artrose precoce na articulação do tornozelo — o que aumenta o impacto na qualidade de vida.

Tratamento: quando a fisioterapia resolve e quando a cirurgia entra em cena

Na maior parte dos casos, o primeiro caminho é o tratamento conservador. A fisioterapia tem papel central para recuperar força, equilíbrio e propriocepção, com foco em devolver controle e estabilidade ao tornozelo. O uso temporário de tornozeleiras ou órteses pode ajudar na fase de retorno, mas não substitui a reabilitação.

Se a instabilidade persiste apesar do tratamento, a orientação é buscar avaliação com um ortopedista com atuação em pé e tornozelo. Em situações selecionadas, a cirurgia pode ser indicada para reconstrução ligamentar, com o objetivo de restaurar a estabilidade e reduzir o risco de novas entorses.

A recomendação dos especialistas é não minimizar o problema quando as torções viram rotina. Identificar a causa e tratar de forma adequada pode evitar complicações e preservar a função do tornozelo a longo prazo.