Hematologia e Hemoterapia

Excesso de proteína na dieta pode aumentar risco ao coração e sobrecarregar rins

Estudo relaciona consumo acima de 22% das calorias diárias em proteínas a alterações nas artérias; especialista orienta sinais de alerta e como ajustar a ingestão.

Por Redação Brazil Health , 08/03/2026

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Excesso de proteína na dieta pode aumentar risco ao coração e sobrecarregar rins

Dietas ricas em proteína ganharam popularidade, sobretudo entre pessoas que buscam emagrecer ou ganhar massa muscular. Mas o consumo exagerado do nutriente pode trazer efeitos indesejados e, em alguns casos, aumentar riscos à saúde cardiovascular e renal.

Um estudo da Universidade de Pittsburgh apontou que ingerir mais de 22% das proteínas por dia pode favorecer o acúmulo de substâncias nas artérias, elevando o risco cardiovascular. A explicação, segundo especialistas, é que o organismo não tem um “estoque” de proteína: quando a ingestão ultrapassa a necessidade, o excesso precisa ser metabolizado e eliminado.

O que o excesso pode causar no organismo

O nutrólogo Daniel Magnoni, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, afirma que uma das preocupações é a sobrecarga dos rins, já que o metabolismo proteico aumenta a produção de ureia e outros compostos nitrogenados. “O metabolismo proteico gera ureia e outros subprodutos nitrogenados que exigem um trabalho intenso dos rins. Embora pessoas saudáveis geralmente consigam lidar com essa demanda, a ingestão muito alta pode acelerar a perda de função ou agravar condições renais pré-existentes”, diz.

Outro efeito possível é a desidratação. De acordo com o médico, para eliminar o excesso de nitrogênio, o corpo precisa de mais água, o que pode levar a sede intensa e, se a hidratação não acompanhar, a um quadro de desidratação leve a moderada.

Magnoni também chama atenção para impactos intestinais. “Dietas muito ricas em proteínas, especialmente as de origem animal, também tendem a ser naturalmente pobres em fibras. Essa carência pode levar à prisão de ventre, alterações na microbiota intestinal (disbiose) e, em alguns casos, halitose característica, que pode ser decorrente de cetose ou excesso de amônia”, afirma.

Proteína também engorda se houver excesso de calorias

Embora seja associada ao ganho de músculo, a proteína também fornece energia e pode contribuir para aumento de peso quando a dieta ultrapassa o gasto diário. “A proteína também contém calorias (4kcal por grama). Se a ingestão calórica total, incluindo a proteína, for maior do que o gasto energético, o excesso será convertido e armazenado como gordura corporal, resultando em ganho de peso indesejado”, reforça o nutrólogo.

Quanto de proteína é suficiente

As proteínas participam de funções essenciais, como formação e reparo de tecidos, produção de enzimas e anticorpos. “A função das proteínas está além da estética ou do ganho de massa muscular. Elas são responsáveis pela estrutura e reparo de tecidos (como pele, órgãos e ossos), atuam como enzimas que aceleram reações químicas vitais e compõem os anticorpos do nosso sistema imunológico”, explica Magnoni.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação típica para pessoas sedentárias fica entre 0,8 e 1,0 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia. Já atletas podem precisar de 1,6 a 2,2 g/kg, dependendo do tipo de treino e dos objetivos.

Para o especialista, o exagero tende a aparecer quando o consumo se mantém elevado por longos períodos. “Ingestões acima de 1.5g/kg para sedentários ou 2.5g a 3g/kg para atletas, por longos períodos, são consideradas excessivas. Por isso, a chave para ingerir proteínas de maneira saudável é o equilíbrio”, conclui.