Alergia e Imunologia

Alimentos com muita proteína: quando o excesso pode não trazer mais saúde

Produtos “proteinados” se espalham pelas prateleiras e pelas redes sociais, mas especialistas alertam que a necessidade diária varia e que o rótulo “rico em proteína” não garante uma escolha saudável.

Por Redação Brazil Health , 21/07/2026

4 min de leitura

Alimentos com muita proteína: quando o excesso pode não trazer mais saúde

Iogurtes, barras, pães, bebidas e até sobremesas passaram a destacar o alto teor de proteína como diferencial. A tendência acompanha o aumento do interesse por alimentação e desempenho físico, impulsionada por conteúdos nas redes sociais sobre como “bater a meta” do nutriente. Mas a ideia de que quanto mais proteína, melhor, pode levar a escolhas inadequadas para muita gente.

A nutricionista clínica e esportiva Ana Camila Mininel Liberador afirma que a proteína é essencial, porém não funciona como atalho para resultados. “A proteína é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo, mas isso não significa que quanto mais proteína uma pessoa consumir, melhores serão os resultados. A necessidade varia conforme idade, composição corporal, nível de atividade física, objetivos e condições de saúde”, diz.

A proteína participa da formação e recuperação de tecidos, ajuda na manutenção da massa muscular e integra processos como a produção de enzimas e hormônios. Ainda assim, a recomendação diária muda conforme o perfil. Em média, adultos sedentários precisam de cerca de 0,8 grama por quilo de peso corporal ao dia. Já pessoas fisicamente ativas ou em busca de hipertrofia podem demandar de 1,4 a 2,0 g/kg/dia, segundo referências da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva (ISSN). Fora desses contextos, aumentar a ingestão tende a não trazer benefícios adicionais.

Quando o rótulo engana

Outro ponto de atenção é que parte dos itens vendidos como ricos em proteína continua sendo ultraprocessada. Mesmo com mais do nutriente, esses produtos podem concentrar sódio, açúcares adicionados, gorduras e aditivos usados para melhorar sabor, textura e conservação.

Para a especialista, a análise precisa ir além do destaque da embalagem. “O fato de um produto ser rico em proteína não faz dele automaticamente uma escolha saudável. É importante observar a lista de ingredientes, a quantidade de sódio, açúcares adicionados e o perfil nutricional completo. A proteína é apenas uma parte da qualidade do alimento”, afirma.

O que observar antes de comprar

Ao ler o rótulo, a nutricionista recomenda atenção a pontos básicos:

  • a lista de ingredientes, priorizando opções com composição mais simples;
  • a presença de açúcares e adoçantes entre os primeiros itens da lista;
  • a quantidade de sódio, que pode ser alta em ultraprocessados.

Priorize fontes naturais

Para a maioria das pessoas, as melhores fontes de proteína seguem sendo alimentos minimamente processados, como ovos, carnes magras, peixes, leite, iogurte natural, queijos, feijões, lentilhas e grão-de-bico. Segundo Ana Camila, além de proteína, eles oferecem vitaminas, minerais e fibras, e podem ter melhor custo-benefício do que versões industrializadas enriquecidas.

Ela compara o fenômeno atual a tendências anteriores do mercado. “Durante muito tempo, os alimentos eram vendidos destacando que eram ‘light’, ‘zero gordura’ ou ‘sem açúcar’. Hoje, a proteína ocupa esse espaço como principal argumento de marketing”, diz. Para a nutricionista, o risco é tratar o nutriente como solução única para emagrecer, ganhar massa ou melhorar a performance. “Nenhum alimento isolado faz milagres. Os melhores resultados continuam dependendo de uma alimentação equilibrada, adequada às necessidades individuais, associada à prática regular de atividade física e a hábitos de vida saudáveis”, conclui.

Antes de incluir produtos “proteinados” de forma indiscriminada, a orientação é avaliar se há, de fato, necessidade de aumentar o consumo e buscar ajuda profissional para ajustar a dieta ao objetivo e ao estado de saúde.