Alergia e Imunologia

Alimentação no tratamento do câncer: como amenizar enjoos e manter a nutrição

Mudanças simples no cardápio e na rotina das refeições podem ajudar a reduzir desconfortos comuns da quimioterapia e radioterapia e a preservar o estado nutricional durante a terapia.

Por Redação Brazil Health , 27/04/2026

3 min de leitura

Alimentação no tratamento do câncer: como amenizar enjoos e manter a nutrição

Enjoos, alterações no apetite, mudanças no paladar e no olfato, além de diarreia ou prisão de ventre, estão entre os efeitos colaterais que podem dificultar a alimentação durante o tratamento do câncer. Como consequência, o paciente pode ter dificuldade para manter o peso e a massa muscular, o que impacta disposição, força e recuperação.

Especialistas em nutrição costumam orientar que, nesse período, o objetivo nem sempre é “emagrecer” ou “ganhar” peso, e sim evitar perdas ou ganhos importantes. A perda de peso involuntária pode reduzir massa muscular e resistência física, enquanto o ganho excessivo pode aumentar o risco de problemas como diabetes e doenças cardiovasculares.

Quando o apetite muda

O câncer e o tratamento podem levar tanto à falta de fome quanto ao aumento da ingestão em momentos de estresse. Se o apetite estiver baixo, a recomendação é aproveitar horários em que a fome aparece e fracionar a alimentação ao longo do dia, mantendo lanches acessíveis e escolhendo opções mais calóricas em pequenas porções.

Em situações de fome aumentada por ansiedade ou estresse, a estratégia pode ser trocar parte dos lanches por alternativas mais leves e buscar outras formas de aliviar a tensão, como uma caminhada ou uma conversa com alguém de confiança.

Náusea e vômitos: o que costuma ajudar

Para quem sente náusea, refeições menores e mais frequentes tendem a ser melhor toleradas do que grandes volumes de comida. Alimentos leves e de fácil digestão, como torradas, bolachas simples, caldos, sopas e arroz, costumam ser opções mais confortáveis.

Outra orientação comum é não ficar longos períodos em jejum, já que o estômago vazio pode piorar o enjoo. Beber líquidos em pequenas quantidades ao longo do dia também pode ajudar, evitando grandes volumes de uma só vez.

Paladar, olfato, dor na boca e intestino preso ou solto

Mudanças no paladar e no cheiro dos alimentos são frequentes: algumas pessoas relatam gosto metálico, ou que tudo fica sem sabor. Nesses casos, vale testar temperos, variar fontes de proteína e, quando houver gosto metálico, experimentar talheres de plástico ou bambu. Para reduzir incômodo com cheiros fortes, alimentos frios ou em temperatura ambiente podem ser melhor aceitos, assim como manter o ambiente ventilado durante o preparo.

Quando há dor na boca, dor de garganta ou dificuldade para engolir, alimentos macios (purês, mingaus, ovos mexidos) e opções frias (vitaminas, picolés) tendem a causar menos desconforto. Já itens muito ácidos, picantes, crocantes ou gaseificados podem irritar e piorar a dor.

No intestino, tanto diarreia quanto constipação podem ocorrer. Em quadros de diarreia, é comum a orientação de priorizar refeições pequenas, reduzir fibras por um período, evitar álcool e cafeína e reforçar a hidratação, inclusive com bebidas com eletrólitos quando indicado. Na constipação, manter boa ingestão de líquidos, estabelecer horários regulares para refeições e evacuação, caminhar diariamente e aumentar fibras na dieta são medidas que costumam ajudar.

Em qualquer situação, a recomendação é comunicar sintomas persistentes à equipe de saúde e, sempre que possível, buscar acompanhamento com nutricionista, já que necessidades e restrições variam conforme o tipo de câncer e o tratamento.