Dia Mundial do Cérebro reforça prevenção e diagnóstico precoce em todas as idades
Especialista defende políticas públicas contínuas para identificar sinais precoces em crianças, enfrentar o adoecimento emocional em adultos e investigar perdas de memória em idosos, sem naturalizar sintomas como parte da idade.
Por Redação Brazil Health, 22/07/2026
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Celebrado em 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama atenção para a prevenção de doenças neurológicas e para a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Para o neurocirurgião e neurocientista Fernando Gomes, professor livre-docente da Universidade de São Paulo (USP), a saúde do cérebro precisa ser acompanhada ao longo de toda a vida, e não apenas quando a doença já está instalada.
Segundo ele, a abordagem deve integrar ações para crianças, adultos e idosos, com atuação na escola, na atenção básica e em serviços voltados ao envelhecimento. “Durante muito tempo, esperamos a doença aparecer para começar a cuidar do cérebro. Precisamos inverter essa lógica. Saúde cerebral deve ser tratada como prioridade de Estado, presente na escola, na UBS, no ambiente de trabalho, na família e no atendimento ao idoso”, afirma.
Infância: sinais não devem ser ignorados
Na avaliação do especialista, identificar precocemente alterações no desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem pode mudar o curso do cuidado. Ele cita, entre os desafios mais comuns, sinais associados ao transtorno do espectro autista (TEA) e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), além de atrasos de linguagem e mudanças comportamentais.
“Quanto mais cedo uma criança é acolhida, avaliada e estimulada, maiores são as chances de desenvolver comunicação, autonomia, aprendizado e qualidade de vida”, diz Gomes. Para ele, também é essencial evitar que famílias fiquem sem orientação em meio a filas e encaminhamentos desconectados. “O objetivo não é rotular, mas garantir uma avaliação precoce e o cuidado adequado”, completa.
Entre sinais de alerta que merecem observação, ele aponta:
- atraso na fala e dificuldade de comunicação
- pouca interação social e contato visual
- não responder ao nome
- movimentos repetitivos e sensibilidade a estímulos
- hiperatividade e dificuldade de atenção
- queda no rendimento escolar e dificuldades de aprendizagem
- mudanças de comportamento, isolamento e dificuldade para fazer amigos
- problemas de coordenação motora
Vida adulta: saúde mental também é saúde do cérebro
Para o neurocientista, o aumento de queixas como ansiedade, depressão, esgotamento e isolamento social deve ser entendido como um tema de saúde pública, e não apenas individual. “Não podemos tratar o adoecimento emocional apenas como um problema individual. Muitas vezes, ele está relacionado às condições de trabalho, à sobrecarga, à falta de acesso ao cuidado e à ausência de uma rede de apoio”, afirma.
Ele recomenda atenção a sintomas persistentes, como tristeza ou ansiedade, alterações do sono, cansaço constante, dificuldade de concentração, perda de interesse por atividades, queda no desempenho e isolamento social. “Quando esses sintomas persistem e começam a interferir na rotina, é fundamental buscar ajuda. O diagnóstico e o cuidado precoces fazem toda a diferença”, diz.
Velhice: perda de memória nem sempre é Alzheimer
No envelhecimento, Gomes alerta para o risco de atribuir automaticamente sintomas à idade. Perda de memória que interfere no dia a dia, dificuldade para caminhar, quedas frequentes, mudanças de comportamento, perda de autonomia e incontinência urinária exigem avaliação médica, segundo ele.
“Nem toda perda de memória é Alzheimer. Existem doenças neurológicas que se parecem com demência, mas podem ter tratamento, controle e, em alguns casos, até reversão, quando identificadas a tempo”, afirma. Ele cita a hidrocefalia de pressão normal como um exemplo de condição que pode ser tratada quando diagnosticada precocemente.
Para o especialista, a mensagem do Dia Mundial do Cérebro é ampliar o olhar para além do tratamento de doenças específicas. “Uma criança acompanhada na escola, um adulto acolhido antes de adoecer gravemente e um idoso diagnosticado corretamente fazem parte da mesma política: cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida”, conclui.
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