Psiquiatria

Estudo sugere reposição hormonal na perimenopausa para prevenir doenças crônicas

Artigo na revista Aging & Disease propõe a fase antes da menopausa como janela para estratégias que reduzam inflamação e risco metabólico, com avaliação individual e apoio a hábitos saudáveis.

Por Redação Brazil Health , 27/02/2026

4 min de leitura

Estudo sugere reposição hormonal na perimenopausa para prevenir doenças crônicas

Um artigo de especialistas publicado em 2025 na revista científica Aging & Disease propõe que a perimenopausa – período de transição que antecede a menopausa – seja tratada como uma janela estratégica para prevenir envelhecimento acelerado e reduzir risco de doenças crônicas em mulheres.

Segundo os autores, oscilações e queda de estrogênio e progesterona nesse intervalo estão ligadas a aumento de inflamação, piora da resposta à insulina, perda de massa muscular e alterações cardiovasculares e cognitivas, fenômenos que podem antecipar a idade biológica.

O que diz o estudo

O trabalho apresenta o conceito de geroproteção, isto é, intervenções médicas voltadas a preservar funções do organismo ao longo do tempo. Nessa lógica, iniciar terapia hormonal de forma criteriosa na perimenopausa poderia ajudar a proteger coração, metabolismo, músculos e cérebro, além de atenuar processos inflamatórios.

A ginecologista Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher, avalia que o recorte proposto é oportuno. “A perimenopausa é uma janela biológica crítica e negligenciada, na qual se iniciam alterações metabólicas, inflamatórias, musculares, cardiovasculares e cognitivas que influenciam diretamente a forma como a mulher vai envelhecer”, afirma. “Esperar a menopausa para agir é, muitas vezes, perder tempo biológico.”

Para a médica, é preciso rever práticas clínicas. “As diretrizes tradicionais ainda adotam um modelo reativo, focado na menopausa estabelecida e no alívio tardio dos sintomas. O artigo reforça a necessidade de repensar esse modelo e valorizar a perimenopausa como fase ativa de prevenção”, diz.

Por que importa

O estrogênio exerce papéis além da fertilidade, com efeitos conhecidos sobre vasos sanguíneos, metabolismo e circuitos cerebrais. A hipótese dos autores é que, ao repor o hormônio no momento certo e na dose adequada, parte dessas funções possa ser preservada, com impacto no risco futuro de eventos cardiovasculares e declínio funcional.

A proposta, no entanto, não equivale a recomendação universal. Terapia hormonal tem indicações e contraindicações – como histórico de trombose, câncer de mama hormônio-sensível e algumas condições hepáticas – e deve considerar idade, tempo desde o início dos sintomas, via e tipo de hormônio, além das preferências da paciente.

Implicações para o cuidado

O artigo sugere integrar avaliação hormonal a um plano amplo de saúde na perimenopausa, que inclua alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e manejo do estresse. A abordagem combinada é apontada como mais efetiva para conter inflamação crônica e preservar massa muscular e saúde cardiometabólica.

Passos ressalta que a decisão requer acompanhamento contínuo. “Reposição hormonal exige individualização e acompanhamento médico, com avaliação criteriosa de riscos, escolha adequada de via, tipo e dose hormonal, e integração com alimentação, exercício, sono e manejo do estresse dentro de um plano terapêutico global”, afirma.

Os autores defendem adaptar diretrizes clínicas para incorporar a perimenopausa como fase ativa de prevenção e cuidado integral. Novos estudos – especialmente ensaios que avaliem início precoce de terapia, perfil de segurança e desfechos de longo prazo – serão decisivos para balizar mudanças de rotina na prática médica.

Para o público leigo, a mensagem central é buscar avaliação médica ao surgirem alterações do ciclo, ondas de calor, distúrbios de sono ou mudanças de humor na transição para a menopausa. Identificar precocemente riscos e opções terapêuticas pode ajudar a atravessar essa fase com mais proteção e qualidade de vida.