Ortopedia e Traumatologia

Mulheres idosas vivem mais, mas falta apoio para saúde mental e autonomia, dizem médicas

Especialistas da SBGG alertam que, apesar da maior longevidade feminina, problemas como fragilidade, depressão, incontinência e isolamento social ainda são pouco abordados no cuidado à mulher idosa.

Por Redação Brazil Health , 27/05/2026

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Mulheres idosas vivem mais, mas falta apoio para saúde mental e autonomia, dizem médicas

Às vésperas do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, celebrado em 28 de maio, profissionais da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) chamam a atenção para um ponto recorrente na prática clínica: viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com saúde, autonomia e qualidade de vida.

As mulheres têm maior expectativa de vida do que os homens e já são maioria entre os idosos no Brasil. Ainda assim, temas que impactam diretamente a independência no dia a dia, como funcionalidade, saúde mental, sexualidade e suporte social, seguem recebendo pouca atenção em consultas e políticas de cuidado.

“As mulheres vivem mais, porém nem sempre vivem melhor. Na prática geriátrica, vemos muitas pacientes que sobrevivem mais aos grandes eventos cardiovasculares e às doenças agudas, mas acumulam multimorbidades, fragilidade, osteoporose, sarcopenia e limitações funcionais ao longo do envelhecimento”, afirma a geriatra Ana Cristina Canedo, membro da SBGG.

Problemas comuns que comprometem a independência

Segundo a médica, condições frequentes no envelhecimento feminino acabam ficando em segundo plano, embora tenham efeito direto sobre mobilidade e participação social. “Muitas dessas condições acabam comprometendo independência, mobilidade e participação social da mulher ao longo do envelhecimento”, diz.

Entre os pontos citados por ela estão perda de massa muscular, incontinência urinária, alterações do sono, depressão e isolamento social, além do acúmulo de doenças crônicas, que pode aumentar o risco de quedas, internações e perda de autonomia.

Menopausa como momento para prevenção ao longo da vida

Para Ana Cristina, a menopausa precisa ser vista além de uma mudança hormonal. “Hoje entendemos a menopausa como uma janela de oportunidade para prevenção e promoção de envelhecimento saudável. A queda hormonal interfere diretamente na saúde óssea, muscular, cardiovascular, cognitiva e emocional da mulher”, explica.

Ela reforça que a chance de chegar à velhice com mais independência depende de fatores combinados, que incluem hábitos de vida e acompanhamento contínuo. “Atividade física regular, alimentação adequada, estímulo cognitivo, sono de qualidade, vínculos sociais e acompanhamento médico ao longo da vida fazem diferença direta na funcionalidade e na independência da mulher”, afirma.

Sexualidade e autoestima ainda cercadas por tabu

No campo emocional e social, a psicóloga e especialista em Gerontologia Valmari Cristina Aranha, da Comissão de Formação Gerontológica da SBGG, afirma que a maturidade pode trazer perdas, mas também oportunidades de reconstrução. “Muitas mulheres chegam à maturidade mais seguras sobre quem são, com mais autonomia sobre o próprio corpo e menos presas às cobranças sociais que acompanharam outras fases da vida”, diz.

Ela avalia que a sexualidade na velhice ainda enfrenta barreiras culturais. “A sexualidade da mulher idosa ainda é pouco discutida porque durante muito tempo o desejo feminino foi reprimido e invisibilizado socialmente. Mas hoje, vemos mulheres redescobrindo o prazer, o afeto, a autoestima e o próprio corpo na maturidade”, afirma.

Para as especialistas, o envelhecimento feminino precisa ser tratado de forma mais ampla na saúde pública e na sociedade, especialmente com o crescimento acelerado da população idosa. “Estamos vivendo uma feminização do envelhecimento. As mulheres já representam a maioria da população idosa, principalmente nas faixas etárias mais avançadas, e isso exige um olhar mais atento para funcionalidade, prevenção, saúde mental e suporte social ao longo da vida”, conclui Ana Cristina.