Esquecimentos na terceira idade: o que é normal e quando pode ser Alzheimer
Pequenas falhas de memória tendem a aparecer com a idade, mas sinais que atrapalham a rotina merecem investigação. Mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de demência.
Por Redação Brazil Health , 05/07/2026
4 min de leitura
Esquecer onde colocou um objeto, levar alguns segundos a mais para lembrar um nome ou precisar conferir uma informação duas vezes são situações comuns no dia a dia, especialmente com o avanço da idade. Na maioria das vezes, isso não indica uma doença.
A médica geriatra Julianne Pessequillo explica que pequenas “escapadas” podem fazer parte do envelhecimento normal, sem impacto relevante na autonomia. O alerta, porém, acende quando os esquecimentos começam a mudar a vida prática do idoso.
“Quando os esquecimentos passam a interferir na rotina, tornando a pessoa mais dependente e dificultando tarefas habituais, é importante uma avaliação médica”, afirma a especialista. Nesses casos, pode haver um comprometimento cognitivo que exige investigação e, em algumas situações, pode ser o início de uma demência, como a doença de Alzheimer.
O ponto-chave, segundo a geriatra, é observar se há perda de funcionalidade: dificuldade para lidar com compromissos, organizar finanças, realizar atividades do cotidiano ou se orientar em lugares conhecidos. Mudanças progressivas na linguagem, no comportamento e na capacidade de executar tarefas também entram na lista de sinais que merecem atenção.
Embora ainda não exista cura definitiva para a doença de Alzheimer e os tratamentos não tragam resultados promissores de longo prazo para todos os pacientes, a ciência tem mostrado um caminho encorajador: parte significativa dos casos de demência pode ser evitada ou adiada com medidas de prevenção ao longo da vida.
Estudos indicam que cerca de 45% a 50% dos casos podem estar associados a fatores de risco potencialmente modificáveis. Em outras palavras, cuidar do cérebro pode começar muito antes de qualquer sintoma aparecer.
O que pode reduzir o risco de demência
Pesquisas apontam 14 fatores que, quando prevenidos ou tratados, podem ajudar a diminuir o risco de desenvolver demência. Entre eles, há pontos ligados a saúde, hábitos e condições do ambiente.
- Baixo nível de escolaridade: estudar e manter o cérebro em atividade ajuda a formar “reserva cognitiva”, uma espécie de proteção que melhora a capacidade de o cérebro compensar mudanças do envelhecimento.
- Perda auditiva não tratada: além de favorecer o isolamento social, pode aumentar o esforço do cérebro para compreender sons e informações, afetando processos ligados à linguagem e interpretação.
- Hipertensão arterial: pode provocar alterações silenciosas nos vasos sanguíneos do cérebro, reduzindo o fluxo e a oxigenação e elevando o risco de microlesões ao longo do tempo.
- Colesterol LDL elevado: níveis altos do chamado “colesterol ruim” podem estreitar artérias, incluindo as cerebrais, prejudicando a circulação.
- Diabetes mal controlado: pode causar danos vasculares e metabólicos que afetam diretamente o funcionamento do cérebro.
- Obesidade: associada a inflamação crônica e alterações metabólicas que podem influenciar a saúde cerebral.
- Sedentarismo: a atividade física regular melhora a circulação cerebral e se relaciona a menor risco de demência.
- Tabagismo: piora a circulação e aumenta processos inflamatórios no organismo, com impacto também no cérebro.
- Consumo de álcool: o uso crônico e/ou abusivo pode causar lesões nas células cerebrais ao longo do tempo.
- Depressão: pode afetar atenção, organização e retenção de informações; quando persistente e não tratada, se associa a maior risco de declínio cognitivo. “Diante de queixas de memória acompanhadas de tristeza persistente, desânimo ou perda de interesse, sempre devemos levantar a hipótese de depressão”, alerta Julianne Pessequillo.
- Isolamento social: convívio, trocas e atividades em grupo ajudam a preservar funções cognitivas.
- Traumatismo craniano: especialmente quando repetido (mesmo leve) ou em casos graves, pode desencadear processos inflamatórios e degenerativos.
- Poluição do ar: a exposição prolongada a poluentes tem sido associada a inflamação cerebral, estresse oxidativo e prejuízos na comunicação entre células nervosas.
- Perda de visão não corrigida: pode reduzir estímulos cognitivos e aumentar o isolamento social.
Para a geriatra, quando esses fatores são analisados em conjunto, fica mais evidente que o risco de demência não depende apenas do envelhecimento em si, mas de como o corpo e o cérebro são cuidados ao longo dos anos.
“Prevenir demência começa décadas antes dos primeiros sintomas”, destaca Julianne Pessequillo. Medidas como controlar pressão, colesterol e diabetes, manter atividade física, estimular o aprendizado e preservar vínculos sociais ajudam não só a memória, mas o envelhecimento saudável como um todo.
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