Fonoaudiológia

4 sinais de perda auditiva que podem afetar memória e aumentar risco de demência

Dificuldade para acompanhar conversas, aumentar o volume da TV e evitar encontros sociais estão entre indícios comuns. Especialistas recomendam avaliação precoce para reduzir impactos na saúde do cérebro.

Por Redação Brazil Health , 02/05/2026

3 min de leitura

4 sinais de perda auditiva que podem afetar memória e aumentar risco de demência

A dificuldade para ouvir não é apenas um incômodo do dia a dia: estudos têm apontado a perda auditiva como um dos principais fatores de risco para demência, condição que afeta mais de 55 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, uma análise publicada na revista The Lancet Global Health (2024) estima que parte relevante dos casos poderia ser evitada com medidas de prevenção e controle de fatores de risco.

O tema ganha peso diante do aumento esperado de problemas auditivos nas próximas décadas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1,5 bilhão de pessoas convivem com algum grau de perda auditiva, e esse número pode chegar a 2,5 bilhões até 2050.

Apesar da frequência, a perda auditiva ainda costuma passar despercebida e pode ser subdiagnosticada. Por isso, reconhecer sinais simples pode ajudar a buscar avaliação antes que o problema comprometa rotinas, relações sociais e funções cognitivas.

Sinais do dia a dia que merecem atenção

Alguns comportamentos recorrentes podem indicar que a audição já não está como antes:

  • Pedir para as pessoas repetirem frases com frequência, mesmo em conversas comuns.
  • Ter dificuldade para entender o que é dito em ambientes com barulho, como restaurantes e reuniões.
  • Aumentar o volume da TV ou do celular a ponto de outras pessoas reclamarem.
  • Evitar interações sociais ou terminar conversas com sensação de cansaço por esforço para acompanhar a fala.

Por que ouvir mal pode impactar a memória

A relação entre audição e declínio cognitivo é explicada por diferentes mecanismos. Com a perda auditiva, o cérebro recebe menos estímulos, precisa fazer mais esforço para interpretar palavras e, em alguns casos, a pessoa tende a se isolar por dificuldade de comunicação. Esses fatores, combinados, estão associados a piora de atenção, memória e outras funções mentais.

“A perda auditiva não tratada pode acelerar o declínio cognitivo, pois priva o cérebro de estímulos essenciais e impacta diretamente a comunicação e a interação social. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a saúde mental e cognitiva”, afirma a fonoaudióloga Gisele Munhoes dos Santos.

O que fazer ao perceber os sintomas

A orientação é procurar uma avaliação auditiva ao notar mudanças persistentes na audição. Quando indicado por profissional de saúde, o uso de aparelhos auditivos pode contribuir para melhorar a comunicação e reduzir a sobrecarga de esforço para entender a fala.

“Muitas pessoas demoram a procurar ajuda, o que pode agravar o quadro. Quanto antes houver intervenção, maiores são as chances de preservar as funções cognitivas ao longo do tempo”, diz a especialista.

Com o envelhecimento da população e a tendência de aumento de casos, especialistas apontam que cuidar da audição também é uma medida de proteção para o cérebro. Em muitos casos, agir cedo pode fazer diferença para manter autonomia, vínculos sociais e qualidade de vida.