Nutrição

Ansiedade em mulheres pode ter relação com hormônios e tireoide, dizem especialistas

Oscilações da perimenopausa, alterações na tireoide e noites mal dormidas podem causar irritação, palpitações e insônia, confundindo o diagnóstico e atrasando uma avaliação mais completa.

Por Redação Brazil Health , 08/05/2026

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Ansiedade em mulheres pode ter relação com hormônios e tireoide, dizem especialistas

Insônia, irritação, coração acelerado e sensação de descontrole têm levado muitas mulheres ao consultório com uma suspeita imediata: ansiedade. Especialistas alertam, porém, que nem sempre o quadro começa “na cabeça”. Mudanças hormonais da perimenopausa, distúrbios da tireoide e piora do sono podem intensificar sintomas ansiosos e criar um estado de alerta persistente, que se parece com um transtorno emocional.

O endocrinologista Arthur Victor de Carvalho, que atua em saúde hormonal feminina, afirma que a redução do problema a um único diagnóstico é um erro frequente, sobretudo a partir do fim dos 30 anos. “Muitas mulheres não estão apenas ansiosas. Estão dormindo mal, com hormônios oscilando, metabolismo em queda e o corpo inteiro funcionando em estado de alerta. Se ninguém investiga isso, elas acabam tratadas pela metade”, diz.

Perimenopausa pode começar antes da última menstruação

A transição para a menopausa pode ocorrer anos antes da interrupção definitiva do ciclo. Nesse período, é comum haver piora do sono, maior vulnerabilidade emocional e queixas cognitivas, como dificuldade de concentração e “névoa mental”. A Menopause Society aponta que essas alterações podem surgir mesmo em mulheres que ainda menstruam regularmente, o que contribui para que a origem do desconforto passe despercebida.

Carvalho relata que, em parte dos casos, a queixa principal é emocional, mas a investigação revela um conjunto de sinais físicos associados à fase hormonal. “Tem paciente que chega dizendo que perdeu o controle emocional. Mas, quando você aprofunda, encontra noites fragmentadas, ondas de calor, queda de progesterona, irregularidade do ciclo e uma sensação corporal de ameaça o tempo todo. É impossível separar isso completamente do que ela está sentindo”, afirma.

Tireoide também pode imitar sintomas de ansiedade

Outro ponto de atenção é a função da tireoide. Quadros de hipertireoidismo, por exemplo, podem provocar nervosismo, irritabilidade, insônia e palpitações, sintomas que podem ser interpretados como crise emocional quando não há uma avaliação clínica mais ampla. Nesses casos, o corpo costuma “participar” do episódio de forma mais intensa, com alterações de temperatura, aceleração dos batimentos e queda importante de energia.

O sono pode sustentar um ciclo de piora

Especialistas destacam que o sono, muitas vezes, é o fator mais subestimado. Despertares noturnos, suor e dificuldade para voltar a dormir são queixas comuns na perimenopausa e podem aumentar irritabilidade e reatividade ao estresse. O resultado pode ser um ciclo difícil de quebrar: alterações hormonais prejudicam o sono, a privação de descanso amplifica a ansiedade, e o dia seguinte tende a ser marcado por cansaço e pior tolerância às pressões.

Para os médicos, a necessidade de investigar além do diagnóstico inicial aumenta quando a ansiedade muda de padrão, piora sem motivo claro ou vem acompanhada de sintomas físicos novos, especialmente em fases de transição reprodutiva. Entre os sinais que merecem atenção estão palpitações, suor noturno, alterações menstruais, queda de libido e cansaço persistente.

“Tem mulher que não precisa de mais culpa, precisa de investigação. Quando o corpo entra em instabilidade, ele altera a forma como essa mulher dorme, pensa, reage e sente. Se o médico não olha para isso, a sensação dela de estar fora de si só aumenta”, conclui Carvalho.