Seu diagnóstico pode estar errado e isso está custando caro: veja os sinais
O psiquiatra Dr. Guido Boabaid May explica por que erros no diagnóstico em saúde mental prolongam o sofrimento, aumentam custos e atrasam o tratamento certo.
Por Redação Brazil Health , 15/07/2026
3 min de leitura
Quando falamos em saúde mental, um diagnóstico impreciso raramente representa apenas um erro técnico. Na prática, ele pode significar meses ou até anos de sofrimento prolongado, tratamentos ineficazes, efeitos colaterais desnecessários e custos financeiros cada vez maiores para pacientes, famílias e para o próprio sistema de saúde. Em transtornos como depressão, ansiedade, bipolaridade e TDAH, os sintomas muitas vezes se sobrepõem, o que torna a avaliação clínica mais desafiadora e reforça a importância de uma abordagem cuidadosa e individualizada.
Na rotina clínica, vejo com frequência pacientes que passaram por uma longa trajetória até encontrar um tratamento eficaz. Muitos já testaram diferentes medicamentos, enfrentaram efeitos adversos importantes e acumulam frustração após sucessivas tentativas sem resposta satisfatória. Esse processo impacta não apenas a evolução clínica, mas também a adesão ao tratamento. Quando uma pessoa perde a confiança de que pode melhorar, o risco de abandono terapêutico aumenta significativamente.
Por que a “tentativa e erro” ainda acontece
Esse modelo de tratamento, historicamente baseado em tentativa e erro, ainda é muito presente na saúde mental. Embora tenha sido, por muito tempo, a única alternativa disponível, hoje sabemos que ele tem limitações importantes. Estudos mostram que até 50% dos pacientes não respondem ao primeiro medicamento prescrito. Em muitos casos, cada troca exige semanas ou meses até que seja possível avaliar se houve resposta clínica, prolongando o sofrimento e aumentando os custos com consultas, exames, internações e atendimentos de urgência.
Ao mesmo tempo, a ciência busca entender por que tratamentos semelhantes geram respostas tão diferentes entre indivíduos. Um dos fatores está na biologia de cada paciente, hoje sabemos que variações genéticas podem influenciar diretamente a forma como o organismo metaboliza e responde a medicamentos, afetando tanto a eficácia quanto o risco de efeitos colaterais. Isso ajuda a explicar por que um medicamento pode funcionar muito bem para uma pessoa e falhar completamente para outra, mesmo diante do mesmo diagnóstico.
Como personalizar o tratamento com mais segurança
É nesse contexto que a Medicina de Precisão ganha cada vez mais relevância. E é importante dizer: isso não é novidade. A farmacogenética já é um campo consolidado, com décadas de pesquisa e milhares de estudos científicos publicados. Seu papel é oferecer informações adicionais para tornar decisões terapêuticas mais assertivas, considerando a individualidade biológica de cada paciente. Ela não substitui a avaliação clínica, mas pode ajudar a reduzir incertezas, evitar trocas sucessivas de medicação e tornar o tratamento mais rápido, seguro e eficiente.
Na saúde mental, avançar significa ir além de protocolos generalistas e reconhecer que cada paciente responde de forma única ao tratamento. Diagnóstico correto, acompanhamento qualificado e abordagens personalizadas não apenas aumentam as chances de recuperação, mas também reduzem custos emocionais, sociais e financeiros. A saúde mental não deveria ser conduzida como uma loteria. Quanto mais cedo entendermos isso, mais próximos estaremos de um cuidado verdadeiramente preciso, humano e eficaz.
Dr. Guido Boabaid May – CRM/SC 5432 CRM/SP 196454 RQE 3845.
Médico psiquiatra
Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein
Tags relacionadas: