Ortopedia e Traumatologia

O brasileiro normaliza a dor e procura ajuda quando ela está limitante

O médico ortopedista Fellipe Valle alerta que dores musculares e articulares persistentes exigem avaliação precoce para evitar perda funcional e agravamento clínico

Por Redação Brazil Health , 03/03/2026

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O brasileiro normaliza a dor e procura ajuda quando ela está limitante

A expectativa de vida alcançou 76 anos, mas isso não representa o vigor da saúde individual. Entre tantos hábitos brasileiros, normalizar a dor é um que preocupa os médicos ortopedistas. O periódico Lancet Regional Health – Américas, em pesquisa realizada com 10 mil cidadãos com mais de 50 anos, em 70 cidades, apontou que cerca de 37% dos analisados conviviam com alguma dor crônica.

A Organização das Nações Unidas (ONU) define que a dor pode ser classificada como crônica quando dura mais de três meses. Independentemente do tempo, é imprescindível destacar que a dor nunca é normal, pois ela é um sinal de que o corpo está com a saúde prejudicada.

Nós ortopedistas, recebemos em nossos consultórios pacientes com queixas graves que muitas vezes estão impedidos de realizar atividades cotidianas devido à dor articular e muscular. Um ponto em comum em vários desses depoimentos é que o desconforto ocorre há meses.

Ao avaliar o quadro clínico, percebe-se que o paciente poderia sentir menos dor e continuar realizando suas tarefas se tivesse procurado tratamento anteriormente. Isso ocorre porque a intervenção médica precoce é crucial para prevenir complicações.

Viver mais não basta: é preciso viver melhor

Essa prática de procurar ajuda médica tardiamente escancara um problema: o brasileiro pede ajuda apenas quando a dor se torna limitante. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que, de 1940 a 2024, a expectativa de vida do brasileiro cresceu aproximadamente 31 anos. A longevidade, entretanto, não significa que estamos vivendo com qualidade.

Um dos principais estigmas que reforçam esse comportamento é a crença de que a dor é definitiva. Em termos claros, acreditar que o desconforto é irreversível pode levar a prejuízos ainda maiores. Isso reflete a necessidade de uma mudança mais profunda, que vai além da remodelação de hábitos e atua na percepção da pessoa sobre si mesma.

Dessa forma, é evidente que negligenciar a saúde articular pode levar à incapacidade funcional. O envelhecimento, então, chega de forma acelerada e global, ou seja, prejudica todos os aspectos da vida. É necessário que os brasileiros compreendam a longevidade articular como uma ferramenta para o presente, sendo a velhice um acontecimento próximo e, por isso, digna de proteção.

*Fellipe Valle é médico ortopedista, especialista em Medicina Regenerativa e longevidade articular