Ortopedia e Traumatologia

Beach tennis vira febre na Faria Lima mas lesões ortopédicas disparam

Executivos adotam o beach tennis como estilo de vida, mas o ritmo intenso de treinos vem aumentando o número de lesões ortopédicas

Por Redação Brazil Health , 10/11/2025

4 min de leitura

Beach tennis vira febre na Faria Lima mas lesões ortopédicas disparam

Executivos adotam o beach tennis como estilo de vida, mas o ritmo intenso de treinos vem aumentando o número de lesões ortopédicas

Nos últimos anos, o beach tennis deixou de ser apenas um passatempo de praia para se tornar uma febre urbana, especialmente entre executivos e profissionais do mercado financeiro. A combinação de exercício ao ar livre, socialização e competitividade moderada encaixa-se perfeitamente na rotina intensa - e, muitas vezes, estressante - desse público. Mas, por trás do visual leve e do clima descontraído, o esporte exige preparo físico e atenção a riscos ortopédicos que não devem ser ignorados.

De acordo com uma revisão sistemática publicada no Brazilian Journal of Health Review (2025), envolvendo mais de 1.200 praticantes, o beach tennis apresenta uma taxa média de 1,48 lesões a cada 1.000 horas de prática - um número expressivo quando comparado a esportes de raquete mais tradicionais. As lesões mais comuns são tendinopatias nos membros superiores, especialmente no cotovelo e no ombro, seguidas por entorses de joelho e tornozelo. O perfil típico do lesionado, segundo o estudo, é o de um jogador com maior tempo de prática e alta carga semanal de treinos - justamente o tipo de profissional que transforma o hobby em rotina de performance, buscando superação e intensidade.

Ritmo de alta performance

Essa característica ecoa o comportamento competitivo do mercado financeiro: metas, performance, constância e, muitas vezes, pouca margem para pausa. No entanto, o beach tennis oferece o contraponto ideal a esse estilo de vida. O esporte é um poderoso antídoto contra o estresse crônico, ajudando a equilibrar corpo e mente após longas jornadas diante de telas e planilhas. A areia amortece o impacto e desafia o equilíbrio, fortalecendo músculos estabilizadores e promovendo melhor consciência corporal. Além disso, a dinâmica em duplas favorece o espírito de equipe e o networking natural - dois valores muito apreciados no ambiente corporativo.

Alta queima calórica, alto rendimento

Do ponto de vista metabólico, o beach tennis se destaca como uma atividade aeróbica e anaeróbica simultaneamente, com alta queima calórica e estímulo cardiovascular significativo. Essa combinação contribui para a redução da gordura corporal, melhora da resistência e aumento da energia. Muitos praticantes relatam ganhos expressivos em foco e disposição - atributos diretamente ligados à produtividade profissional.

Lesões evitáveis com planejamento

O estudo aponta que a maioria das lesões poderia ser prevenida com programas personalizados de fortalecimento muscular e aprimoramento técnico. A ausência de preparo físico adequado, somada ao aumento súbito de carga e frequência, é o principal gatilho para dores e inflamações. É comum ver entusiastas que passam de dois para cinco treinos semanais sem adaptação, repetindo o mesmo erro que cometem no trabalho: acelerar resultados sem consolidar bases.

Equilíbrio e estratégia

A recomendação dos especialistas é clara: investir em prevenção e equilíbrio. Um programa de fortalecimento dos ombros, cotovelos, joelhos e tornozelos, aliado a exercícios de mobilidade e alongamento, reduz significativamente a incidência de lesões. O acompanhamento por fisioterapeutas e treinadores especializados em esportes de raquete potencializa a segurança e o desempenho.

Em última análise, o beach tennis vai além do lazer. É uma metáfora do equilíbrio entre ambição e autocuidado, intensidade e controle. Saber reconhecer os limites do corpo e investir em prevenção é, para o atleta amador de alta performance, o equivalente a uma boa estratégia de gestão de risco. Afinal, tão importante quanto bater forte na bola é garantir que o jogo — e a carreira - continuem por muito tempo.

Gabriel Miura CRM/MG 49598 | RQE 33587

Ortopedista e professor de Medicina do Esporte na Afya Educação Médica de Belo Horizonte