Teste Genético

Teste Genético da Mayo Clinic Prevê a Resposta a Medicamentos Para Perda de Peso

Nova pesquisa identifica perfil biológico que prevê resposta a medicamentos para perder peso de forma personalizada

Por Redação Brazil Health , 15/10/2025

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Teste Genético da Mayo Clinic Prevê a Resposta a Medicamentos Para Perda de Peso

Uma equipe da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, apresentou um teste genético capaz de prever se pessoas com obesidade vão responder melhor a dois tipos de medicamentos emagrecedores. O método, batizado de CTS-GRS, avalia a “saciedade calórica” — a quantidade de comida necessária para que alguém se sinta satisfeito — e, com isso, indica qual remédio tende a ser mais eficiente em cada caso.

Como funciona o teste de saciedade

No estudo, cerca de 800 adultos com obesidade foram convidados para uma experiência simples: comer lasanha, pudim e leite à vontade até sentirem que estavam satisfeitos. Enquanto alguns atingiam esse ponto depois de apenas 140 calorias, outros ultrapassaram as 2 mil calorias. Ao analisar fatores como peso, idade e hormônios envolvidos no apetite, ficou claro que a explicação para tamanha diferença não estava aí — mas sim na genética.

Por meio do que há de mais moderno em análises genéticas e inteligência artificial, os pesquisadores combinaram dez variantes genéticas relacionadas ao apetite em um escore específico para medir o limiar da saciedade. O resultado, segundo o Dr. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic e líder do projeto, foi animador: “Os pacientes merecem tratamentos que reflitam sua biologia, e não apenas o tamanho dos seus corpos”.

Medicação certa para a pessoa certa

Na prática, quem tem um limiar de saciedade alto — ou seja, demora mais para se sentir satisfeito — tende a perder mais peso com remédios voltados ao controle do tamanho das refeições, como fentermina-topiramato, já conhecido no mercado americano. Já pessoas que se sentem satisfeitas com poucas calorias obtiveram mais resultado ao usar medicamentos que reduzem a fome de modo geral, como a liraglutida, da classe dos agonistas de GLP-1.

  • Pessoas que comem grandes porções (“cérebro faminto”) respondem melhor ao remédio tradicional
  • Pessoas que comem em pequenas quantidades, mas com frequência (“intestino faminto”), têm mais resultado com o GLP-1

“Com um único teste genético, podemos prever quem tem mais chance de obter sucesso com dois tipos de medicamento”, destaca o Dr. Acosta. Segundo ele, a escolha guiada pela genética “significa um cuidado mais eficaz e com melhores resultados para os pacientes”.

Novas possibilidades para o futuro

A tecnologia já está sendo utilizada em 300 clínicas dos Estados Unidos e os cientistas trabalham para incorporar dados do microbioma — as bactérias do intestino — e do metabolismo, assim como para prever quem pode ter efeitos colaterais, como náuseas. A expectativa é que a personalização do tratamento da obesidade avance ainda mais, oferecendo soluções sob medida e melhores resultados para quem convive com o problema.