Sono e Fertilidade

Dormir Bem Faz Diferença: Como o Sono Impacta a Fertilidade de Homens e Mulheres

Mudanças de rotina e tratamento de distúrbios do sono podem fazer diferença para quem deseja ter filhos, segundo estudos recentes.

Por Redação Brazil Health , 06/10/2025

4 min de leitura

Dormir Bem Faz Diferença: Como o Sono Impacta a Fertilidade de Homens e Mulheres

Dormir mal vai muito além do simples cansaço. Para quem está tentando engravidar, noites mal dormidas podem reduzir significativamente as chances de sucesso. Distúrbios de sono estão associados a menor fertilidade em mulheres, além de piores resultados em tratamentos como a fertilização in vitro (FIV). “Sono ruim bagunça hormônios, atrapalha a ovulação e piora a qualidade do sêmen”, explica o ginecologista Paulo Gallo, especialista em reprodução humana.

Em 2024, uma revisão de estudos encontrou relação direta entre dificuldades para dormir e infertilidade feminina, além de desfechos reprodutivos desfavoráveis. Nos homens, poucas horas de sono – ou até dormir em excesso – foram associados a uma queda na qualidade do sêmen, com pior contagem, movimentação e formato dos espermatozoides. O ideal, segundo os dados, parece ser um equilíbrio: “Algo próximo de 7 a 8 horas por noite tende a ser o melhor intervalo”, destaca o médico.

Como o relógio biológico impacta a fertilidade

Trabalhar à noite ou fazer turnos alternados, que bagunçam o relógio biológico, podem aumentar as chances de irregularidades menstruais, dores e até menopausa precoce. A melatonina, conhecido como o "hormônio do sono", também tem papel fundamental na ovulação e na qualidade dos óvulos. “Queda crônica de melatonina pode piorar esses processos”, alerta Gallo.

Atenção especial deve ser dada a mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), grupo em que a apneia obstrutiva do sono é mais comum e pode dificultar ainda mais a resposta aos tratamentos de fertilidade. Diretrizes internacionais recomendam investigar sinais de apneia em mulheres com SOP.

Passos práticos para melhorar o sono e favorecer a fertilidade

  • Horário regular: Dormir e acordar em horários parecidos todos os dias ajuda o ciclo hormonal a funcionar melhor.
  • Luz certa na hora certa: Exponha-se à luz natural pela manhã e evite telas e luz forte pelo menos 1 hora antes de dormir.
  • Ambiente ideal: Quarto escuro, silencioso e com temperatura entre 18 e 22°C. Colchão e travesseiro confortáveis também são importantes.
  • Evite estimulantes: Limite o consumo de cafeína após o meio-dia e evite bebidas alcoólicas perto da hora de dormir, pois afetam a qualidade do sono e do sêmen.
  • Mexa-se (mas não tarde): Exercícios regulares ajudam no sono e na saúde, mas devem ser feitos até 3 ou 4 horas antes de deitar.
  • Desacelere à noite: Tome um banho morno, leia algo leve ou pratique técnicas de respiração ou meditação para facilitar o sono.

Quando buscar ajuda médica antes dos tratamentos

Segundo Paulo Gallo, alguns quadros exigem atenção antes de iniciar tratamentos como a FIV ou após 6 a 12 meses de tentativas sem sucesso:

  • Insônia crônica, com dificuldade frequente para dormir por pelo menos 3 meses
  • Sinais de apneia: ronco alto, pausas respiratórias, acordar cansado ou com dor de cabeça
  • Trabalho em turnos, principalmente com sintomas de descompasso no sono

Nesses casos, tratar a insônia (preferencialmente com terapia comportamental) e apneia do sono pode trazer benefícios reais. “Tratar insônia e a apneia melhora marcadores metabólicos e pode otimizar resposta ovariana, seminal e resultados da FIV”, reforça o especialista.

Para casais que trabalham em turnos, vale reforçar: tente manter horários fixos para dormir e, se possível, reduza o número de noites consecutivas de trabalho durante as tentativas de gravidez.

Sono: um pilar essencial para realizar o sonho de ter filhos

Cuidar do sono é tão importante quanto alimentação, exercícios e controle do estresse para quem deseja engravidar. Pequenas mudanças de hábitos e o tratamento de distúrbios podem aumentar as chances de gravidez natural e melhorar o sucesso dos tratamentos. “Se o relógio biológico está desencontrado, alinhar o sono pode ser o passo que faltava para sincronizar o projeto de ter um bebê”, conclui Paulo Gallo.