Setembro Amarelo

Setembro Amarelo: Como a Dependência em Jogos de Azar Aumenta os Riscos à Saúde Mental

Especialistas apontam relação direta entre apostas online e aumento de casos de ansiedade, depressão e pensamentos suicidas.

Por Redação Brazil Health , 12/09/2025

3 min de leitura

Setembro Amarelo: Como a Dependência em Jogos de Azar Aumenta os Riscos à Saúde Mental

O rápido avanço do mercado de apostas esportivas e cassinos virtuais no Brasil está alarmando profissionais de saúde mental. O fácil acesso aos aplicativos e a falsa promessa de ganhos rápidos atraem milhares de brasileiros, aumentando o número de pessoas que desenvolvem dependência em jogos de azar – uma doença já reconhecida internacionalmente.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde, entre 1% e 3% dos brasileiros sofrem algum nível de transtorno ligado a jogos e apostas. O problema tende a crescer junto com a popularização das plataformas digitais, que potencializam o risco de prejuízos emocionais e financeiros.

A compulsão por apostas pode desencadear sintomas como ansiedade, irritação, noites mal dormidas e isolamento social. Em situações extremas, o vício leva ao endividamento, destruição de laços familiares e ao surgimento de pensamentos suicidas. “O apostador compulsivo entra em um ciclo difícil de quebrar. A cada perda, surge a necessidade psicopatológica de apostar novamente para tentar recuperar o dinheiro, o que intensifica a frustração, o endividamento e o sofrimento psíquico”, explica Cristiano Costa, psicólogo clínico e diretor de conhecimento da EBAC - Empresa Brasileira de Apoio ao Compulsivo.

Levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que pessoas com perfil de dependência, especialmente entre os 18 e 25 anos, apresentam índices três vezes maiores de depressão e ideias suicidas em relação à média da população. “Os jovens, em especial, são atraídos pela ideia de ganhar recursos rapidamente, mas acabam entrando em uma espiral que compromete tanto a saúde mental quanto a financeira. Esse é um público que precisa de atenção redobrada”, alerta Cristiano.

No contexto do Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio, especialistas reforçam: tratar o vício em jogos como um problema de saúde pública é fundamental. “Não se trata apenas de uma questão econômica, mas de um transtorno que pode colocar vidas em risco. Reconhecer os sinais e buscar ajuda profissional é fundamental”, ressalta o psicólogo.

  • acompanhamento médico e psicológico especializado
  • participação em grupos de apoio como os Jogadores Anônimos
  • adoção de terapias cognitivas e comportamentais

A regulamentação das apostas esportivas no país acirra o debate sobre o papel das empresas e a urgência de políticas de proteção ao consumidor. Entre as recomendações, estão a restrição de publicidade voltada para jovens, limites de apostas nos aplicativos e campanhas informativas contínuas. Falar sobre saúde mental salva vidas – e romper o silêncio sobre a dependência em jogos pode ser o primeiro passo para buscar apoio e recuperar o equilíbrio emocional.