Saúde Sexual

Estresse e Ansiedade Afetam Saúde Sexual das Mulheres e Demandam Novas Prioridades

Em meio a jornadas duplas, sobrecarga emocional e desafios financeiros, qualidade da vida íntima das brasileiras sofre impactos preocupantes.

Por Redação Brazil Health , 04/09/2025

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Estresse e Ansiedade Afetam Saúde Sexual das Mulheres e Demandam Novas Prioridades

A pressão do dia a dia, somada ao acúmulo de responsabilidades dentro e fora de casa, vem afetando diretamente a saúde sexual de milhares de mulheres brasileiras. Segundo o relatório “Esgotadas”, da ONG Think Olga, 86% das brasileiras admitem sentir-se sobrecarregadas com tantas tarefas e quase metade enfrenta dificuldades financeiras. Para muitas, conciliar trabalho, família e cuidados com outros é rotina, especialmente para as mulheres entre 36 e 55 anos, 57% das quais são cuidadoras diretas de alguém.

O resultado desse esgotamento vai além do corpo: estresse crônico, ansiedade e até depressão são fatores que comprometem o desejo sexual e o prazer. O excesso de cortisol, hormônio do estresse, interfere na produção de estrogênio e progesterona, podendo provocar fadiga, insônia e até dores durante o sexo. “O cansaço extremo e a sobrecarga mental desequilibram o ciclo hormonal e drenam a energia física necessária para o desejo sexual. Quando a mulher está exausta, o corpo simplesmente ‘desliga’ para o prazer”, explica a ginecologista Dra. Tatiana Chaves, da Afya Educação Médica, em Brasília.

Para a médica, não dá para desvincular o bem-estar íntimo da rotina desgastante da mulher moderna. “A sexualidade da mulher, por muitos séculos, foi deixada de lado. Hoje, com a jornada tripla, sexo se torna a última prioridade. Muitas mulheres passam anos sem sexo simplesmente porque isso não cabe no dia a dia”, destaca. Ela provoca ainda uma reflexão: “Por que você lava a louça, uma atividade sem prazer, mas não separa tempo para o sexo, que pode trazer conexão e satisfação?”

A psicóloga Renata Caveari, coordenadora de Psicologia do Centro Universitário Afya Itaperuna, compartilha a visão de que saúde sexual é um retrato da saúde integral. “Ela envolve fatores emocionais, psicológicos, relacionais e até socioculturais. Precisa-se considerar não só o corpo, mas também o contexto em que a mulher está inserida”, detalha. A especialista lembra que ansiedade e depressão tornam o sexo menos frequente ou prazeroso e estima-se que entre 58% e 83% das mulheres com depressão relatem algum grau de disfunção sexual.

Segundo Renata, fortalecer a autoestima e desenvolver uma comunicação assertiva dentro do relacionamento são caminhos para resgatar o desejo e a qualidade da vida íntima. Ela enfatiza que quando as atividades domésticas são divididas de forma justa, o casal tende a encontrar mais harmonia e prazer. Confira algumas recomendações dos especialistas para recuperar o equilíbrio sexual:

  • buscar autoconhecimento e compreender as próprias necessidades
  • desequilibrar menos as responsabilidades do lar entre os parceiros
  • cuidar da saúde mental com acompanhamento psicológico quando necessário
  • investir no diálogo sincero com o parceiro sobre limites e desejos
  • priorizar momentos de lazer e autocuidado

O silêncio ainda é um obstáculo para muitas mulheres, que têm medo de desencadear conflitos ou desagradar o parceiro ao reconhecer dificuldades sexuais. Renata alerta que a conversa franca pode ser libertadora: “Falar sobre dificuldades sexuais é um ato de coragem e cuidado consigo mesma. Quando a mulher encontra espaço para se expressar sem julgamentos, abre-se a possibilidade de viver uma intimidade mais verdadeira e saudável”.