Saúde Mental

Como o Excesso de Tempo de Tela nas Redes Sociais Afeta a Saúde Mental e o Bem-Estar

Estudo recente revela quanto tempo os brasileiros passam conectados e detalha riscos para saúde mental, como insônia, baixa autoestima e ansiedade

Por Redação Brazil Health , 23/09/2025

3 min de leitura

Como o Excesso de Tempo de Tela nas Redes Sociais Afeta a Saúde Mental e o Bem-Estar

De corpos perfeitos a viagens dos sonhos, a vida apresentada nas redes sociais parece sempre reluzente—mas, fora das telas, cresce o número de pessoas que vivem ansiedade, solidão e insatisfação. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre prevenção ao suicídio, especialistas colocam em pauta um alerta: o uso exagerado das redes digitais impacta, e muito, o bem-estar psicológico.

Dados do relatório Digital 2024 mostram que o brasileiro passa, em média, mais de nove horas por dia diante de uma tela. Para Alexia Soares Montingelli Lopes, psicóloga e professora do curso de Psicologia do UniCuritiba, esse comportamento gera escolhas prejudiciais. "O ambiente digital oferece recompensas rápidas e constantes, como curtidas e comentários. Isso reforça o hábito de prolongar o tempo online, muitas vezes em detrimento da saúde mental e das relações reais", explica.

O sistema de “reforço rápido” alimentado pelas redes sociais cria um ciclo de busca constante por estímulos, dificuldade de concentração e sensação de exaustão. “O cérebro não foi feito para tanta informação e recompensa. Como resultado, aparecem irritabilidade, insônia e fadiga, mesmo após horas navegando”, alerta Alexia.

Não é só o tempo: o conteúdo também importa. Segundo a psicóloga, os algoritmos são projetados para manter o usuário engajado, muitas vezes priorizando conteúdos que estimulam comparação social, distorção da realidade e até discursos extremos. “Comparamos as vidas reais, cheias de altos e baixos, às versões idealizadas do online. Isso prejudica a autoestima e aumenta a autocrítica”, ilustra.

Além disso, a busca por aprovação — com a dependência de curtidas, comentários e notificações — torna o bem-estar emocional vulnerável a oscilações. “Quando o engajamento é baixo, o indivíduo sente como se estivesse sendo punido socialmente”, acrescenta ela, apontando que isso pode favorecer sentimentos de inadequação.

  • alteração do sono: a luz azul das telas inibe a melatonina, dificultando o relaxamento e afetando o ciclo natural do sono;
  • baixa autoestima: a necessidade de validação externa torna a autoconfiança frágil e dependente;
  • ansiedade constante: há pressão para se manter disponível e atualizado, levando a um quadro de hipervigilância.

Entre os sinais de alerta para o uso patológico estão irritabilidade quando não se pode acessar as redes, abandono de tarefas ou relações importantes para ficar online, sensação de mal-estar pós-navegação, isolamento e busca obsessiva por validação virtual.

“As redes sociais são ferramentas, não vilãs, mas quando o uso se torna compulsivo e não intencional, surgem os problemas. O segredo está em estabelecer limites e observar como o ambiente digital controla nosso comportamento”, orienta a especialista.

Se o uso das redes sociais está trazendo sofrimento, os especialistas orientam buscar ajuda profissional. O UniCuritiba, por exemplo, oferece atendimento psicológico na clínica-escola da instituição, com agendamento prévio.