Saúde Emocional

Onda de demissões no começo do ano liga alerta para saúde mental nas empresas

Brasil lidera demissões voluntárias e empresas correm para mapear riscos emocionais

Por Redação Brazil Health , 07/01/2026

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Onda de demissões no começo do ano liga alerta para saúde mental nas empresas

O início do ano concentra uma enxurrada de pedidos de demissão no país e acende o sinal de alerta nas áreas de RH. Relatório Global Talent Trends, do LinkedIn em parceria com a PwC, indica que 56% dos desligamentos no Brasil são voluntários, bem acima da média mundial, próxima de 38%.

O movimento costuma ganhar força logo após o recesso. Para a psicóloga e advogada Jéssica Palin, especializada em saúde emocional corporativa, a virada do ano funciona como um gatilho. “É quando muita gente toma a decisão que vinha adiando; se há desgaste, desalinho de valores ou pouca escuta, o pedido vem rápido”, diz.

Custo alto e impacto no caixa

Substituir profissionais pesa no orçamento. Estimativas da Gallup apontam que a troca pode custar de 50% a 200% do salário anual, somando perdas de produtividade, recrutamento, tempo de adaptação e abalos no clima organizacional.

O fator emocional é decisivo para a permanência. Ainda segundo a Gallup, quem se sente emocionalmente engajado é 59% menos propenso a buscar outra vaga ativamente. Já exaustão, conflitos e falta de reconhecimento tendem a explodir após pausas mais longas, como férias e recessos.

Sinais de alerta e ação antes da virada

Para reduzir baixas logo no começo do ano, empresas têm adotado diagnósticos preventivos no fim do ciclo, mapeando riscos emocionais e falhas de liderança. A ideia é identificar sinais de esgotamento e conflitos silenciosos antes que se tornem pedidos de desligamento.

“O emocional mal gerido custa caro em dinheiro, clima e reputação. Quando a empresa só reage após a demissão, o problema já é estrutural”, afirma Palin. Segundo ela, a leitura antecipada do clima permite ajustes que preservam equipes e resultados no primeiro trimestre.

Geração Z e novas regras ampliam a pressão

A chegada da Geração Z ao mercado eleva a cobrança por ambientes saudáveis. Pesquisa global da Deloitte mostra que 76% desses profissionais priorizam saúde mental ao escolher onde trabalhar, e quase metade relata ansiedade frequente — um perfil menos tolerante a organizações emocionalmente desorganizadas.

Além da cultura, o tema ganhou força regulatória. A Lei nº 14.831 criou o Certificado de Empresa Promotora da Saúde Mental, e a Portaria nº 1.419 atualizou a NR-1 para incluir fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, colocando o assunto no centro da agenda de compliance.

Para Palin, o início do ano virou termômetro da saúde emocional das equipes. “Janeiro escancara o que foi negligenciado. Quem atua antes da ruptura reduz perdas e retém talentos; quem ignora entra num ciclo permanente de rotatividade”, conclui.