Saúde de Idosos

Brasil Tem Apenas 2400 Geriatras e USP Lança Pós em Geriatria com Foco em Quedas

País tem só 2,4 mil especialistas para atender uma população idosa crescente; novo curso da USP mira formação prática e integral de médicos para reduzir quedas e fragilidade.

Por Redação Brazil Health , 03/11/2025

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Brasil Tem Apenas 2400 Geriatras e USP Lança Pós em Geriatria com Foco em Quedas

O ritmo do envelhecimento no mundo e no Brasil impõe uma mudança de rota na saúde. A OMS projeta 2 bilhões de pessoas acima de 60 anos até 2050. No país, a partir de 2030, haverá mais idosos do que crianças de zero a 14 anos, cenário que demanda políticas públicas e profissionais qualificados.

Apesar do avanço, o Brasil conta com cerca de 2.400 geriatras para mais de 20 milhões de idosos. Entre os desafios, as quedas se destacam: um em cada três brasileiros com mais de 60 anos sofre esse tipo de acidente, que aumenta o risco de fraturas e morte.

Demanda por geriatras cresce

“O papel do geriatra na prevenção de quedas e da fragilidade é crucial”, afirma Eduardo Ferriolli, professor titular de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP. Para ele, o aumento da população idosa “intensifica a demanda por especialistas”.

Ferriolli lembra que a carência de profissionais abre espaço para a formação: “Formar novos geriatras é uma janela de oportunidades em um mercado que precisa de qualificação.”

Com esse foco, o HCX Fmusp, centro educacional do Hospital das Clínicas da FMUSP, em parceria com o Serviço de Geriatria do HCFMUSP, lançou uma especialização em Geriatria com corpo docente de referência e prática supervisionada em centros de excelência.

Pós-graduação com foco prático e integral

A proposta é capacitar médicos para diferenciar o envelhecimento normal das doenças e oferecer cuidado integral ao idoso em vários cenários: enfermaria, ambulatórios gerais e específicos, interconsulta, instituições de longa permanência, atenção primária e projetos de promoção à saúde.

O curso busca ainda desenvolver atuação em equipe interdisciplinar e aprofundar o manejo das doenças e síndromes mais comuns na velhice. A ideia é ir além de temas pontuais, como perda de massa muscular e força ou fragilidade, e olhar para o conjunto das necessidades do paciente idoso.

Reconhecida pelo MEC e voltada a médicos, a pós-graduação promete instrumentalizar o profissional para avaliar riscos de forma precisa e adotar medidas preventivas eficazes, com impacto direto na qualidade de vida e na redução de internações.

Impacto na saúde pública

À medida que o país envelhece, iniciativas de formação especializada se somam a estratégias de saúde pública para diminuir quedas, evitar complicações e aliviar a pressão sobre o sistema. O desafio é grande — e a qualificação de quem cuida dos idosos é peça central dessa resposta.