Saúde da Mulher

Dores e inchaço abdominal podem indicar endometriose, intolerância ou SII

Sintomas semelhantes têm origens distintas e exigem avaliação médica para evitar atraso no diagnóstico e tratamentos inadequados

Por Redação Brazil Health , 08/02/2026

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Dores e inchaço abdominal podem indicar endometriose, intolerância ou SII

Dores abdominais, cólicas intensas, distensão, gases e alterações no funcionamento intestinal estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios. Embora comuns, esses sintomas podem estar relacionados a condições diferentes, como endometriose com acometimento intestinal, intolerância alimentar ou síndrome do intestino irritável. A semelhança entre os quadros costuma retardar a identificação da causa e prolongar o sofrimento das pacientes.

Para o ginecologista Marcos Tcherniakovsky, diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose, a saúde intestinal precisa integrar o cuidado com a saúde da mulher. Segundo ele, o funcionamento do intestino influencia o equilíbrio hormonal, o sistema imunológico e aspectos emocionais, e a presença de dor recorrente deve sempre ser investigada.

Sintomas que se sobrepõem

Condições distintas podem provocar manifestações muito parecidas, o que dificulta o diagnóstico clínico inicial. Dor abdominal, distensão e alterações no trânsito intestinal aparecem tanto em quadros ginecológicos quanto gastrointestinais. Observar o padrão dos sintomas ajuda na investigação. Quando o desconforto se intensifica de forma cíclica, especialmente próximo ao período menstrual, a suspeita de endometriose ganha força. Quando os sintomas surgem após a ingestão de determinados alimentos, intolerâncias alimentares passam a ser consideradas.

Quando suspeitar de endometriose

A endometriose ocorre quando tecido semelhante ao revestimento interno do útero cresce fora da cavidade uterina e pode atingir ovários, tubas uterinas e até o intestino. Entre os sinais mais frequentes estão cólicas menstruais intensas, dor durante as relações sexuais, dor pélvica persistente, dificuldade para engravidar e sintomas intestinais ou urinários que acompanham o ciclo menstrual.

O tratamento pode envolver medicamentos hormonais e, em situações específicas, intervenção cirúrgica. O especialista destaca que algumas terapias podem interferir na microbiota e na motilidade intestinal, o que exige acompanhamento cuidadoso para preservar a qualidade de vida.

Intolerância alimentar e síndrome do intestino irritável

A intolerância alimentar ocorre quando o organismo apresenta dificuldade para digerir determinados alimentos, como leite e derivados, ovos ou glúten. Pode surgir em qualquer fase da vida e costuma provocar cólicas, queimação, gases e diarreia. Diferentemente da intolerância, a alergia alimentar tende a desencadear reações mais rápidas, como coceira, inchaço, manchas na pele e, em casos mais graves, dificuldade respiratória.

Já a síndrome do intestino irritável é caracterizada por dor ou desconforto abdominal recorrente associado a distensão, gases e episódios de diarreia, constipação ou alternância entre ambos. Trata-se de um quadro funcional crônico, cujo manejo envolve ajustes na alimentação, prática regular de atividade física e acompanhamento médico.

A diferenciação entre essas condições depende de avaliação clínica detalhada. A observação dos sintomas, a realização de exames indicados e o acompanhamento especializado são fundamentais para evitar diagnósticos equivocados e intervenções desnecessárias. Segundo o ginecologista, compreender os sinais do próprio corpo e buscar orientação adequada contribui para um tratamento mais eficaz e para a preservação da qualidade de vida.