Ronco

Ronco forte pode indicar apneia e risco ao coração: saiba quando agir

Especialista explica como diferenciar o ronco simples da apneia do sono, quando buscar avaliação e por que o problema aumenta o risco de pressão alta, infarto e derrame.

Por Redação Brazil Health , 27/12/2025

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Ronco forte pode indicar apneia e risco ao coração: saiba quando agir

Muita gente encara o ronco como um simples incômodo noturno. Mas, em alguns casos, ele pode ser um alerta de apneia do sono, condição ligada a doenças cardíacas. O aviso é do otorrinolaringologista Fernando Balsalobre, da USP e coordenador do Comitê de Comunicação da ABORL-CCF.

Quando o ronco é só barulho e quando vira risco

“O ruído respiratório é provocado pela turbulência do fluxo de ar ao passar pela via aérea durante o sono, mas é importante esclarecer que ele nem sempre está associado à apneia”, explica Balsalobre.

Segundo ele, “Diferentemente do ronco, a apneia do sono é um distúrbio caracterizado por paradas respiratórias transitórias até que a respiração seja restabelecida.”

Essas pausas na respiração têm efeitos no corpo. “Durante os episódios de parada respiratória, a saturação de oxigênio no sangue cai, desencadeando uma série de respostas no organismo”, diz. “Uma delas é a liberação de substâncias como a adrenalina, que atua para restabelecer a respiração.”

O resultado é um sono que não recupera o corpo. “Esse processo pode ser comparado a pequenos sustos repetidos ao longo da noite, resultando em fragmentação do sono e impedindo que ele seja verdadeiramente reparador”, afirma o médico. E o impacto vai além da qualidade do sono: “A descarga recorrente de adrenalina e os picos de pressão arterial gerados contribuem, ao longo dos anos, para o aumento significativo do risco de doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral.”

Diagnóstico e tratamento

Para confirmar a apneia, Balsalobre destaca a importância do exame do sono. “O diagnóstico da apneia é feito por meio da polissonografia, um exame detalhado que avalia o sono em laboratório especializado e permite estratificar a gravidade do quadro.”

A partir daí, a abordagem é personalizada. “A partir dos resultados, é possível definir o tratamento mais adequado, que pode variar conforme a gravidade e as características anatômicas do paciente. Entre as opções estão medidas cirúrgicas e não cirúrgicas, como o uso de aparelhos intraorais ou o CPAP, equipamento que mantém as vias aéreas abertas durante o sono.”

Quando procurar ajuda

O recado final é claro. “Reconhecer a diferença entre o ronco simples e a apneia do sono é essencial para garantir qualidade de vida e prevenir complicações graves”, orienta o especialista. “Por isso, diante de qualquer sinal de problema, é fundamental buscar avaliação médica para obter o diagnóstico correto e definir o tratamento mais indicado.”